Irão nega ligação ao ataque. Rushdie e os seus apoiantes são os “únicos dignos de culpa”

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O Irão rejeitou na segunda-feira qualquer ligação ao ataque contra a Salman Rushdie, que ocorreu na sexta-feira, em Nova Iorque, alegando que os únicos “dignos de culpa” são o escritor e os seus apoiantes.

“Negamos categoricamente” qualquer ligação ao ataque e “ninguém tem o direito de acusar a República Islâmica do Irão”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Nasser Kanani, na primeira reação oficial de Teerão ao ataque, segundo avançou o Diário de Notícias.

O autor de “Os Versículos Satânicos”, publicado em 1988, foi alvo de condenação à morte pelo líder do Irão, o Ayatollah Ruhollah Khomeini, um ano após a publicação, sob a acusação de se tratar de uma obra blasfema para os crentes muçulmanos.

A decisão levou Rushdie a viver em parte incerta, sob proteção policial, e a ‘fatwa’ decretada pelo líder iraniano, com a promessa de uma recompensa de três milhões de dólares para quem assassinasse o escritor, acabou por estar na origem do corte de relações diplomáticas entre o Reino Unido e o Irão.

O governo do Irão há muito que se distanciou do decreto de Khomeini, mas o sentimento anti-Rushdie permanece. Em 2012, uma fundação religiosa iraniana aumentou a recompensa pelo assassinato de Rushdie para 3,3 milhões de dólares.

“Neste ataque, não consideramos outro que Salman Rushdie e os seus apoiantes dignos de culpa e até condenação”, referiu o porta-voz na sua conferência de imprensa semanal. “Ao insultar os assuntos sagrados do Islão e cruzar as linhas vermelhas para mais de 1,5 mil milhões de muçulmanos e todos os seguidores das religiões divinas, Salman Rushdie expôs-se à raiva e à fúria das pessoas”, disse.

Um porta-voz de governo britânico considerou, também na segunda-feira, “ridículo” sugerir que Rushdie foi responsável pelo ataque “abominável” contra si. “Este não foi apenas um ataque a ele, foi um ataque ao direito à liberdade de expressão e o governo britânico está do seu lado e da sua família e defendemos igualmente a liberdade de expressão em todo o mundo”.

Hadi Matar, de 24 anos, foi acusado de “tentativa de homicídio e agressão”, declarando-se inocente num tribunal de Chautauqua, localidade no estado de Nova Iorque onde decorreu o ataque.

“As instituições do Estado iraniano incitaram à violência contra Rushdie durante gerações e os media ligados ao Estado recentemente gabaram-se do ataque contra a sua vida. Isto é desprezível”, indicou no domingo o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, em comunicado.

Rushdie, que permanece hospitalizado, está acordado e com um discurso “articulado”, revelou a CNN Internacional, que cita uma fonte ligada à investigação.

  ZAP //

2 Comments

  1. “ninguém tem o direito de acusar a República Islâmica do Irão”

    Seria verdade se a dita República Islâmica do Irão se tivesse já demarcado da ordem de assassinato, com direito a recompensa, que foi estabelecida por um anterior chefe de estado. Não o fazendo, tanto a ordem como a recompensa, permanecem ativas (digo eu…). Nessa medida, são corresponsáveis.

    Já vai sendo tempo do mundo Ocidental, se demarcar desta gente e deixá-los no canto deles. Nada de imigração. Trocas comerciais q/b. Tecnologia, ZERO! Deixem-nos na Idade Média que é onde eles se sentem bem.

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