Para Rui Rio, as legislativas são as eleições mais “importantes”, mas perder as diretas é o fim da linha

Estela Silva / Lusa

Rui Rio, presidente do PSD

Rui Rio apresenta recandidatura à liderança do PSD

Líder do PSD considera que o partido está bem posicionado para ganhar ao PS nas próximas legislativas e evoca como justificação os resultados em crescendo conseguidos nos últimos quatro anos.

Rui Rio continua convencido que a sua vitória nas eleições diretas do PSD, que se realizam esta terça-feira, irá acontecer graças à proximidade do seu pensamento com o dos militantes (e consequentemente o dos portugueses), uma vantagem face a Paulo Rangel, que tem do seu lado o apoio do aparelho do partido. Em entrevista à Renascença, mostrou-se pouco importado com a ideia de presidir a um partido no qual não é bem aceite pelas estruturas, já que, entende que não é assim que o PSD voltará a presidir a um Governo em Portugal.

“A estrutura não rejeita, opta por A ou por B. Também é verdade que o aparelho partidário não se revê na política que eu faço, eu estou muito mais próximo do pensamento dos portugueses do que das preocupações da vida interna do partido. Não é por acaso que não há uma sintonia entre os partidos e os portugueses”, apontou.

Acrescentou ainda que “se o PSD não votar no candidato que os portugueses mais querem, não interessa para nada“. “Eu tenho de conquistar os portugueses e depois os militantes têm de decidir se querem ir com os portugueses ou não”, afirmou.

Questionado se nas próximas eleições legislativas de janeiro — caso vença Paulo Rangel nas diretas — conseguirá um resultado diferente do alcançado nas legislativas de 2019, Rui Rio diz acreditar que sim e justifica a sua opinião sobretudo com o desgaste do Governo socialista.

Simultaneamente, lembra que ao longo dos últimos quatro anos, e sob a sua liderança, o PSD conseguiu manter o Governo Regional da Madeira, recuperar os Açores, apoiou o Presidente da República reeleito, ganhou a câmara de Lisboa, conquistou 11 capitais de distrito e reduziu a “diferença para o PS em 47%”.

Na opinião do líder do PSD, o partido estaria, ainda assim, numa melhor posição para conquistar um bom resultado eleitoral caso não estivesse a ser palco de uma luta interna.

Rui Rio abordou ainda a famosa (e até controversa) possibilidade de garantir a governabilidade de um Governo do PS, já que, no seu entender, será altamente improvável que das eleições de janeiro saia um resultado com maioria absoluta e isso não deverá constituir um impedimento para que Portugal tenha uma governação estável.

“Sem maiorias absolutas, a governabilidade do país fica em risco relativo e para isso não acontecer tem de haver da parte dos partidos um esforço no sentido de garantir a governabilidade a quem ganhar as eleições. Se eu ganhar as eleições eu gostaria de poder negociar com os outros partidos para ter um governo com alguma estabilidade a bem do país. Se eu gostava que fosse assim para mim então eu também tenho de ser coerente e dizer que estou disponível se não for eu o vencedor”, descreveu.

Ainda assim, Rui Rio garante que para este entendimento acontecer têm de existir negociações. Por outro lado, a proposta de apoio a um Governo do PS durante dois anos, “em nome do interesse nacional” e da “interpretação” que faz dos “sentimentos dos portugueses, seria um primeiro passo que, perante bons resultados, poderia ser estendido para quatro anos.

Rui Rio rejeita ainda que a disponibilidade demonstrada para entendimentos com o PS — prontamente rejeitada por Paulo Rangel — o possa prejudicar, por exemplo, com o afastamento de eleitorado de direita para outros partidos. “As eleições ganham-se ao centro. Eu para ganhar as eleições, PSD um partido do centro, não tenho que estar preocupado em roubar ao CDS 1 por cento ou à Iniciativa Liberal ou ao Chega. não ganho nada, eu preciso de 10% para ganhar as eleições”, atirou.

Finalmente, o líder do PSD deixou antever que mesmo perante uma primeira recusa da sua direção a uma coligação pré-eleitoral com o CDS, o tema voltará a ser debatido internamente. Paralelamente, defende que a autoridade da Comissão Política Nacional — órgão que estará em funções até ao congresso — em escolher os integrantes do grupo parlamentar do partido após as eleições de 30 de janeiro.

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Para Rio, seria uma “irresponsabilidade” da sua parte não fazer cumprir os estatutos e a lei nacional, tendo em conta o prazo de 20 de dezembro para a entrega das listas no Tribunal Constitucional e caso este não seja cumprido o PSD não concorre às eleições.

Um nome que certamente não constará das listas do PSD — em qualquer uma delas — caso Paulo Rangel seja o líder do partido é o de Rui Rio. De acordo com o próprio, caso perda as diretas, o seu percurso “acaba aqui“. “Acaba no congresso porque não fujo às responsabilidades. Mas depois é um ponto final parágrafo”, esclareceu.

  ZAP //

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