Arqueólogos descobrem restos de uma terrível batalha da Idade do Ferro

(dr) Ejvind Hertz / Museum Skanderborg

Restos mortais da terrível batalha da Idade do Ferro em Alken Enge, na Dinamarca

Os arqueólogos ainda não sabem ao certo o que aconteceu nesta batalha, na Dinamarca, que ocorreu há dois mil anos. Mas uma coisa é certa: foi violenta.

Uma equipa de arqueólogos apresentou recentemente, num estudo publicado na Proceedings of the National Academy os Sciences (PNAS), as suas descobertas sobre uma das mais espetaculares escavações arqueológicas em Alken Enge, na Dinamarca.

A vala comum encontrada contém os restos mortais de uma batalha, que ocorreu há dois mil anos, onde crianças de 13 anos lutaram ao lado de homens adultos e onde os mortos foram deixados e comidos por animais famintos, avança o Science Nordic.

Até agora, os investigadores descobriram 2.095 ossos e fragmentos. No entanto, como ainda não exploraram toda a zona arqueológica, acreditam que ainda estão por encontrar entre 380 e mil restos mortais.

As análises de radiocarbono mostram que todos os ossos encontrados pertencem a um grande evento do início do primeiro século, período em que houve um aumento significativo da violência em toda a Europa.

A equipa está confiante de que a batalha não foi entre romanos e tribos germânicas e de que “não são pessoas provenientes do sul da Europa”. “Simplesmente ainda não sabemos”, afirma Ejvind Hertz, investigador do Museu Skanderborg e co-autor do estudo.

Contudo, os restos mortais contam uma história única sobre as estruturas da Idade do Ferro, considera a arqueóloga Katrine Balsgaard Juul, investigadora do Museu Vejle mas que não participou no estudo.

“Estamos sempre interessados em descobrir como passámos de pequenas origens para uma estrutura mais formal ou até mesmo um estado. Alken mostra-nos que, nessa época, havia uma forma de organização em grandes regiões geográficas”, explica.

Para construir um exército capaz de partir para a batalha, Juul acredita que seriam precisas várias aldeias, que consistiam em três ou cinco casas, com entre oito a 15 pessoas – homens, mulheres e crianças. Isto significa que seriam entre 24 a 75 pessoas por aldeia, cerca de metade dos quais seriam homens ou rapazes (os potenciais guerreiros).

A maioria dos restos mortais encontrados indica que os guerreiros teriam idades entre os 20 e os 40 anos e apenas cerca de 5% teriam menos de 20. No entanto, os ossos encontrados mostram que os soldados mais novos tinham apenas 13 anos.

A investigação também revelou detalhes sobre os ferimentos sofridos pelos homens. Alguns ocorreram durante a batalha, outros depois e que poderão estar ligados a rituais de sacrifício. Foram encontrados crânios esmagados e sulcos profundos no interior dos ossos pélvicos. “Quase nenhum dos ossos mostrou sinais de fraturas prévias, o que significa que estes homens provavelmente nunca tinham visto a guerra antes“, diz Hertz.

Segundo os cientistas, os mortos terão sido deixados no campo de batalha e por lá ficaram, tendo sido comidos por animais e acabando por entrar em decomposição. Depois da batalha, a população terá ficado muito dispersa e o que antes terão sido terras cultivadas passou a ser floresta.

Alken Enge é um “sonho” para qualquer arqueólogo, sobretudo, porque ainda há muitas coisas por descobrir e muitas perguntas para responder. “Este sítio é único. É a experiência de uma vida para qualquer arqueólogo ter a oportunidade de fazer parte desta escavação”, conclui Hertz.

ZAP //

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