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Resolvido mistério do tempo de Darwin sobre rinocerontes

Um recente estudo revela detalhes sobre a história evolutiva dos rinocerontes e dos seus níveis notavelmente baixos de diversidade genética.

Há 55 milhões de anos, quando os rinocerontes surgiram pela primeira vez na América do Norte ou na Eurásia, ramificaram-se em mais de 100 espécies que percorreram Eurásia, América do Norte e Central, e África. Mas no início do Plistoceno, há cerca de 2,5 milhões de anos, a maioria dos rinocerontes estava extinta.

No final do Plistoceno, há cerca de 11.700 anos, apenas nove espécies de rinoceronte sobreviveram. Hoje, restam cinco espécies e todas estão em perigo de extinção.

Uma combinação de alterações climáticas pré-industriais e a caça furtiva levou à extinção das espécies mais recentes de rinocerontes. No entanto, o que tem intrigado os cientistas é a linhagem evolutiva dos rinocerontes, escreve o Big Think.

Desde os tempos de Charles Darwin que se tem debatido como é que as espécies de rinocerontes existentes estão relacionadas com os seus antepassados extintos.

Um estudo recente analisou um conjunto de dados do genoma de oito espécies de rinoceronte, incluindo todas as espécies existentes e três extintas. O objetivo era comparar os genomas de espécies vivas com espécies recentemente extintas para estabelecer a sua linhagem evolutiva.

Os resultados mostraram que ocorreu uma divergência entre os rinocerontes há cerca de 16 milhões de anos, levando-os a evoluir para duas linhagens distintas nos continentes africano e euroasiático. Essa divisão de base geográfica ajudou a moldar a evolução dos rinocerontes ainda vivos hoje em dia.

A formação da ponte terrestre para os Gomphotherium, um género de animais ancestrais dos atuais elefantes, que ligava África e Eurásia há cerca de 19 milhões de anos, pode ter facilitado a sua divergência ancestral.

“A nossa teoria é que esta ponte terrestre permitiu eventos de dispersão seguidos por vicariância, como está bem documentado com a imigração para África da Eurásia dos primeiros rinocerontes, girafas, suínos e viverrídeos e a emigração da África para a Eurásia de macacos, Deinotheriidae e elefantes, entre outros”, escreveram os autores.

Vicariância é a divisão de um grupo de indivíduos da mesma espécie em um ou mais subgrupos de espécies semelhantes, em resultado da separação ou isolamento provocados por motivos geológicos.

O estudo também descobriu que a falta de diversidade genética entre rinocerontes não é exatamente nova: as populações de rinocerontes parecem ter diminuído lenta mas continuamente nos últimos dois milhões de anos.

  Daniel Costa, ZAP //

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