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Reduzir o stress pode ajudar a reverter cabelos brancos

O problema de ganhar cabelos brancos por causa do stress pode ter solução — mas só para algumas pessoas. Provavelmente não é possível reverter a situação se já tiver cabelos brancos bem desenvolvidos.

Segundo a Gizmodo, investigadores da Columbia University encontraram uma maneira de acompanhar o envelhecimento capilar das pessoas ao longo do tempo e descobriram não só que o stress pode fazer com que o cabelo se torne cinzento ou branco, mas que aliviá-lo pode reverter o cabelo para a cor natural, pelo menos até certo ponto.

Como é natural, tendemos a perder a cor do cabelo à medida que vamos envelhecendo, porque as células nos folículos capilares param de produzir melanina pigmentada. Existem, no entanto, casos de pessoas jovens a perder a cor do cabelo logo a seguir a um acontecimento stressante.

Alguns destes incidentes são apenas histórias engraçadas, mas há centenas de casos individuais documentados por médicos. Recentemente, estudos realizados em animais, a maioria deles em ratos, comprovaram que este fenómeno é real.

Apesar de o envelhecimento dos folículos capilares acontecer em todos os mamíferos, o processo pode ter um impacto diferente para os humanos, em particular quando se trata de envelhecimento relacionado com o stress.

O novo estudo, realizado por investigadores da Columbia University’s Vagelos College of Physicians and Surgeons, é um dos primeiros a tentar entender o processo através do qual o cabelo se torna branco, e os seus resultados foram apresentados num artigo publicado a semana passada no eLife.

O cabelo visível na nossa cabeça já não está vivo – é um filamento recheado de queratina que lentamente produz e empurra para fora os folículos de cabelo que se encontram debaixo da pele.

Usando uma nova técnica, desenvolvida pelos investigadores, foi possível recolher e comparar pequenos pedaços de fios de cabelo de voluntários. Estes pedaços de cabelo foram posteriormente analisados como se fossem os anéis interiores de uma árvore, ou seja, mostram indiretamente a saúde do folículo à medida que o fio de cabelo foi crescendo, incluindo o estado da sua pigmentação.

“Se usarmos os nossos olhos para ver um fio de cabelo, parece todo da mesma cor, a não ser que exista uma transição enorme” afirma o neurologista Martin Picard, autor principal do estudo, numa nota da universidade. “Debaixo de um scanner de alta resolução, é visível uma pequena e subtil variação na cor, e é isso que estamos a medir”.

Picard e a sua equipa estudaram cerca de 400 fios de cabelo de 14 voluntários saudáveis, de idades entre os 9 e 39 anos. As experiências também contavam com diários de stress, nos quais os voluntários apontavam o nível de stress que sentiram numa semana aleatória.

Alguns voluntários mostraram sinais de perda de pigmentação num fio de cabelo, enquanto outros voluntários perderam e voltaram a ganhar a cor algum tempo depois.

Quando os investigadores cruzaram referências desta perda e ganho de coloração intermitente com os níveis de stress que os voluntários apontaram nos diários, encontraram uma correlação sólida entre os dois — ao ponto em que um dos voluntários recuperou a cor em alguns fios de cabelo durante um período de tempo em que estava relaxado.

“Um dos voluntários foi de férias, e cerca de cinco fios de cabelo dessa pessoa voltaram a mudar para uma cor escura durante as férias, o tempo sincronizou”, disse Picard.

Estas descobertas são baseadas numa amostra pequena, portanto não devem ser definitivas, mas podem ser essenciais para estudos sobre o envelhecimento capilar num futuro próximo, se forem validados.

Outro estudo em ratos, feito recentemente, concluiu que quando os cabelos se tornam brancos, a situação é praticamente irreversível. Mas o estudo realizado por Martin Picard mostrou que há mais flexibilidade no envelhecimento dos folículos capilares em humanos, uma vez que os níveis de stress podem alterar a escalada de pigmentação.

Além dos estudos simples feitos em fios de cabelo ao longo do tempo, os investigadores também encontraram mudanças subtis nos níveis de proteína nos fios de cabelo que perderam a cor. Todos os dados foram usados para criar um modelo matemático da relação entre stress e perda de pigmentação.

É esperado que este modelo ajude cientistas a rastrear as mudanças na coloração capilar quando as pessoas estão em situações que afetam a sua saúde.

Só não podemos ter grandes esperanças de ir de férias e voltar magicamente com o nosso cabelo com a cor original — especialmente se já tivermos uma idade mais avançada.

  Tifany Santos //

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