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Raif Badawi
As autoridades sauditas adiaram o castigo do blogger Raif Badawi, que devia ser aplicado esta sexta-feira, provavelmente por uma semana, por “razões médicas”, anunciou a mulher.
Badaui, de 31 anos, foi condenado em novembro a dez anos de prisão, ao pagamento de uma multa de mil riyals e a mil chicotadas, que seriam aplicadas ao longo de 20 semanas, por “insultos ao islão”.
A 9 de janeiro, Raef Badaui recebeu 50 chicotadas, o que desencadeou uma onda de indignação internacional. A segunda parte da sentença deveria ter sido aplicada hoje.
“O médico da prisão considerou que a saúde de Raef Badaui não permitia a aplicação do castigo hoje”, declarou a esposa, Ensaf Haidar, contactada no Canadá, onde se refugiou com os três filhos do casal.
Haidar disse que o marido tinha ficado com feridas, depois da aplicação das chicotadas, na passada semana, em frente a uma mesquita de Jeddah, no oeste saudita, na costa do Mar Vermelho.
A próxima sessão de chicotadas “decorrerá provavelmente na próxima sexta-feira”, acrescentou.
A organização de defesa dos direitos humanos Amnistia Internacional (AI) indicou que “o médico tinha concluído que as feridas não tinham cicatrizado completamente e que o ativista não seria capaz de aguentar uma nova aplicação do castigo”.
A AI denunciou novamente uma pena de uma “desumanidade escandalosa”.
Detido desde 2012, Raef Badaui era o moderador do site Liberal Saudi Network, tendo sido distinguido, no ano passado, com o prémio Repórteres Sem Fronteiras (RSF) para a liberdade de imprensa. As autoridades encerraram o site.
O militante dos direitos humanos Suad Chammari indicou, quando Badaui foi condenado, que o site “criticou a polícia religiosa, atuações e fatwas” (decretos religiosos), que os ativistas denunciaram como “contrários à essência do islão”.
Na quinta-feira, o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, o príncipe Zeid Ra’ad Al Hussein da Jordânia, pediu ao rei Abdallah da Arábia Saudita para perdoar o blogger.
Zeid Ra’ad Al Hussein considerou que o castigo aplicado era “cruel e desumano”, sublinhando que “tal punição era proíbida pela legislação internacional em matéria de direitos humanos, nomeadamente pela convenção contra a tortura, que a Arábia Saudita ratificou”.
Esta pena foi também criticada pela UE, que a considerou inaceitável, e os Estados Unidos, que a qualificaram como uma “punição desumana” e pediram a sua anulação às autoridades sauditas.
A Arábia Saudita, berço do wahhabism, movimento do islamismo sunita ortodoxo, é um reino ultraconservador, onde qualquer crítica à dinastia Al-Saud, às instituições religiosas e ao Islão pode implicar condenações.
/Lusa