Estávamos quase a perder um osso do joelho (mas afinal está de volta)

Algumas pessoas têm um osso extra no joelho, conhecido como fabela. Ninguém identificou um propósito para o osso, que até aumenta o risco de artrite.

Não era uma surpresa que o osso estivesse a tornar-se cada vez mais raro. No entanto, um estudo dos joelhos humanos ao longo do último século e meio revelou que a fabela está a regressar a um ritmo demasiado rápido para ser uma seleção natural.

Michael Berthaume, do Imperial College London, liderou uma equipa que analisou 58 estudos de joelhos humanos, incluindo registos de 21 mil indivíduos, a partir de 1875. No início desse período, 17.9% das pessoas cujos joelhos foram examinados tinham uma fabela, que cresce num tendão atrás do joelho.

Em 1918, isto caiu para 11,2%, uma mudança estranhamente rápida. As fabelas podem colocar as pessoas em desvantagem evolutiva. Um risco ligeiramente maior de artrite com a idade não deve ter um grande impacto no número de crianças que se cria, certamente não o suficiente para ver um terço das fabelas a desaparecer dentro de duas gerações.

Mas o que veio a seguir é ainda mais estranho. Em 2018, 39% da população tinham fabelas, que são mais comuns em muitos animais não humanos. “Não sabemos qual é a função da fabela, nunca ninguém olhou para ela!”, disse Berthaume em comunicado.

Estas oscilações na frequência são ordens de grandeza mais rápidas do que seria esperado da seleção natural, por isso algo mais deve estar a acontecer. Uma possível explicação está na população que está a ser amostrada. Os asiáticos e os australianos são mais propensos a ter fabelas do que os europeus e sul-americanos.

O estudo utilizou dados de 27 países, mas registos centenários são muito mais abrangentes para alguns lugares do que para outros. Porém, Berthaume e os autores de um artigo no Journal of Anatomy compararam estudos de frequência de fabelas antes e depois de 1960 em quatro países e encontraram em todos os casos que as taxas de fabelas aumentaram.

Fabelas nem sempre aparecem em raios-X ou ressonâncias magnéticas, por isso as taxas de deteção, em vez de ocorrência, podem ter mudado. No entanto, os autores analisaram estudos de dez outros ossos que seriam igualmente fáceis de ignorar e não encontraram nenhuma mudança equivalente na frequência ao longo do tempo.

Consequentemente, a presença de fabelas deve ter uma componente ambiental, bem como genética. Para complicar as coisas, quase um terço das pessoas que têm o osso só tem num joelho.

Os autores acreditam que o osso do joelho está ligado ao osso da coxa. Eles propõem que uma melhor nutrição pode estar por trás do regresso da fabela, aumentando o comprimento da perna e a massa muscular, estimulando a formação óssea.

O mistério não está resolvido, no entanto, uma vez que a presença de fabelas (latim para “feijão pequeno”) não se parece correlacionar com a altura em humanos adultos.

ZAp // IFL Science

 

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