De 500 dias para 45. Propulsores com lasers prometem reduzir o tempo de viagem da Terra até Marte

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O sistema é semelhante à propulsão com um reactor nuclear, mas usa lasers como um alternativa. A viagem passaria a ser feita em apenas seis semanas.

A NASA e a China querem levar a Humanidade a Marte na próxima década, mas há ainda muitos desafios logísticos que têm de ser ultrapassados antes de podermos embarcar nessa viagem.

As previsões da agência norte-americana apontam para que demorássemos 500 dias até chegarmos ao Planeta Vermelho, mas um novo estudo publicado na Astronomy & Astronomy promete conseguir reduzir a viagem para apenas 45 dias.

A investigação foi feita por uma equipa de engenheiros canadianos da Universidade de McGill, que relatam a criação de um sistema de propulsão laser-térmico, onde os lasers são usados para aquecer o combustível de hidrogénio.

Nos últimos anos, a propulsão com energia direccionada tem sido muito estudada e um novo programa da NASA em 2009 começou a procurar uma forma de adapatar estes sistemas a missões interestelares, nota o Universe Today.

Já foram conhecidos vários projectos com este foco, mas esta nova possibilidade distingue-se por ser um conceito interplanetário. Nesta aplicação, os lasers são usados para levarem energia a matrizes fotovoltaicas numa nave espacial, que é convertida em electricidade para alimentar um propulsor de efeito Hall.

A ideia é semelhante a um sistema de propulsão nuclear-eléctrica, mas uma matriz de lasers é usada em vez de um reactor nuclear.

Para além do propulsor de energia direccionada e de hidrogénio, a arquitectura da de uma nave espacial laser-térmica inclui outras tecnologias, como matrizes de lasers de fibra óptica, estruturas espaciais insufláveis e o desenvolvimento de materiais resistentes a altas temperaturas que permitam a entrada na atmosfera de Marte.

Com a combinação destes elementos, um foguetão poderá chegar a Marte em apenas seis semanas, algo que anteriormente se achava que era apenas possível com foguetões alimentados com energia nuclear.

Assim, reduzem-se os riscos em viagens mais longas, como a exposição prolongada à radiação e à microgravidade. Este novo método também permite a criação de um sistema de trânsito rápido entre a Terra e Marte que vai acelerar a criação de infraestruturas entre os dois planetas.

No entanto, há ainda vários desafios pela frente, especialmente com a câmara que aquece os lasers, já que será difícil ter o hidrogénio a uma temperatura superior a 10 000 Kelvins ao mesmo tempo que se tenta manter as paredes da câmara frias.

  Adriana Peixoto, ZAP //

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