Médicos relatam o primeiro caso conhecido de uma pessoa que urina álcool

Francisco Antunes / Flickr

Estátua Manneken Pis, o rapaz a urinar de Bruxelas

Uma mulher residente em Pittsburgh, nos Estados Unidos, tornou-se o primeiro caso documentado de uma pessoa que urina álcool – sem sequer o ter consumido.

A mulher, de 61 anos, com problemas hepáticos e diabetes, deslocou-se ao University of Pittsburgh Medical Centre Presbyterian Hospital, nos Estados Unidos, para entrar numa lista de espera para um transplante de fígado.

Os médicos realizaram vários exames, incluindo análises à urina. Apesar de os resultados terem revelado problemas relacionados com o consumo de álcool, a paciente negava o consumo do mesmo. “Reparamos que os resultados dos testes de plasma para etanol e os resultados dos testes de urina para glicuronídeo de etil e sulfato de etil, os metabolitos do etanol, deram negativo, enquanto que os resultados dos testes de urina para etanol foram positivos“, explicaram.

Os médicos que analisaram a paciente tampouco notaram sinais visuais de intoxicação que explicassem os níveis tão altos de etanol na sua urina, pelo que desconfiaram de imediato do diagnóstico mais óbvio.

Segundo o Science Alert, outro mistério foi a presença de grandes quantidades de glicose na urina – uma condição chamada hiperglicosúria -, com as amostras de urina a revelarem níveis abundantes de levedura.

Por esse motivo, a equipa médica decidiu testar a hipótese de a levedura, colonizada na bexiga da mulher, fermentar açúcar para produzir etanol. A levedura em causa foi identificada como Candida glabrata, uma levedura natural encontrada no corpo humano e relacionada com a levedura de cerveja, mas que normalmente não é descoberta em abundância.

Os esforços para eliminar o fermento com tratamentos antifúngicos falharam, muito provavelmente devido à diabetes mal controlada da paciente. À luz da situação, nunca antes documentada, a mulher foi reconsiderada para o transplante de fígado, ainda que o relatório médico não deixe claro o que aconteceu com a paciente.

A condição, que os investigadores batizaram de “síndrome da fermentação da bexiga”, deixa claro que os médicos devem ser cuidadosos e investigar em caso de incongruências.

Ao analisar o caso desta mulher, os médicos tomaram conhecimento de outros relatórios que descreviam uma produção semelhante de etanol na urina – um caso pós-morte e outro em experiências realizadas in vitro.

Isto significa que é possível que outros pacientes já tenham apresentado sintomas da mesma condição médica, ainda que os sintomas não tenham sido reconhecidos devido à natureza incomum e amplamente desconhecida desta patologia. Os resultados desta investigação foram recentemente publicados na Annals of Internal Medicine.

ZAP //

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