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Paciente com ALS tornou-se a primeira pessoa a enviar um pensamento diretamente para o Twitter

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Um australiano com Esclerose Lateral Amiotrófica tornou-se a primeira pessoa a enviar uma mensagem diretamente do pensamento para o Twitter, graças a um implante cerebral do tamanho de um clip.

Um pequeno implante cerebral, desenvolvido pela Synchron, empresa norte-americana especializada em interfaces cérebro-computador, permitiu a um paciente com Esclerose Lateral Amiotrófica (ALS, ou ELA, em português) transformar os seus pensamentos diretamente em texto com um dispositivo implantado no seu cérebro.

Philip O’Keefe, de 62 anos, que se encontra paralisado devido à ALS, tornou-se assim a primeira pessoa a enviar os seus pensamentos diretamente para o Twitter.

Também conhecida como a doença de Lou Gehrig, a enfermidade neurodegenerativa ainda não tem cura ou tratamento. Ganhou especial notoriedade por nos ter roubadoastrofísico Stephen Hawking — talvez o mais famoso doente de ALS, e retirou a O’Keefe todas as suas funções motoras.

Esta é a primeira vez que alguém escreve uma mensagem nas redes sociais diretamente através de um implante cerebral — um momento simbólico mas muito significativo para a tecnologia, que poderia abrir portas a que pessoas com paralisia se mantenham em contacto com o mundo.

Sem teclar ou falar. Criei este tweet simplesmente pensando nele. #helloworldbci“, escreveu o australiano, usando o perfil do CEO da Synchron, Thomas Oxley.

Em abril de 2020, Philip O’Keefe recebeu um implante cerebral endovascular Stentrode BCI desenvolvido pela Synchro, explica o Techxplore.

Através de inteligência artificial, o sistema converte os sinais elétricos do cérebro em texto, à medida que o utilizador imagina os movimentos do desenho das letras, como se estivesse a escrever uma carta. O texto é composto em tempo real através de um computador.

O implante é instalado cirurgicamente no cérebro e permite “escrever” 90 caracteres por minuto, com uma precisão superior a 90%, após a autocorreção, a uma velocidade que compete com a dos nossos polegares a escrever num smartphone.

Em Julho, a Synchron recebeu aprovação regulamentar da FDA para começar a testar o procedimento em voluntários.

Philip O’Keefe conta que quando ouviu falar desta tecnologia pela primeira vez, soube quanta independência a mesma lhe poderia devolver. “O sistema é espantoso, é como aprender a andar de bicicleta, é preciso prética, mas quando se aprende, torna-se natural”, diz o australiano, citado pelo Daily Mail.

Numa mensagem de seguimento após o seu primeiro post, O’Keefe diz que espera estar a abrir caminho para que mais pessoas possam escrever através dos pensamentos.

Agora, O’Keefe já só pensa no que pode fazer no computador — enviar emails, aceder ao banco ou a uma loja, e enviar mensagens ao mundo através do Twitter.

  Inês Costa Macedo, ZAP //

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