“Coronavírus está a crescer”. Primeira-ministra rejeita abrir fronteiras da Nova Zelândia

appaloosa / Flickr

A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern

A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, tem recebido pedidos dos seus opositores políticos para reabrir as fronteiras do país, algo que tem rejeitado, classificando a sugestão como “francamente perigosa”.

Como noticiou na terça-feira o Independent, com a introdução antecipada de medidas de contenção, a Nova Zelândia conseguiu manter o número de casos de coronavírus muito baixo: há atualmente apenas 22 casos confirmados e uma hospitalização. O resultado foi um retorno à normalidade em grande parte do país.

No entanto, as viagens para fora do país permanecem restritas depois que o controle no país foi ameaçado por dois neozelandeses que retornaram ao país, vindos do Reino Unido, onde visitaram um familiar infetado. Na época, nenhum deles foi testado.

Numa entrevista coletiva, a primeira-ministra indicou: “Vi hoje e durante a semana passada pedidos para as nossas fronteiras serem abertas ao mundo, um mundo em que o vírus está a aumentar, não a abrandar, e que está longe do auge em alguns países, [um mundo] no qual os casos ultrapassam os 10 milhões e as mortes meio milhão, em que os países estão a voltar ao confinamento”.

Referindo-se aos esforços internacionais para reabrir as fronteiras – incluindo a União Europeia (UE) -, Ardern alertou que a Nova Zelândia terá que esperar para seguir o exemplo. Enquanto isso, “desfrutamos do desporto de fim de semana, vamos a restaurantes e bares, os nossos locais de trabalho estão abertos e podemo-nos reunir com o número [de pessoas] que quisermos”, apontou.

A líder do Partido Trabalhista acrescentou que tem estado a debater estabelecimento de acordos de viagem com a Austrália, estado por estado, dependendo da extensão das suas medidas de contenção e os regimes de testes.

“Enquanto a UE procura abrir as suas portas para vários países, incluindo o nosso, lembro que os neozelandeses que retornaram de viagens no estrangeiro fizeram parte da propagação do vírus na Nova Zelândia”, disse. “No futuro, abriremos as fronteiras, mas sugerir que agora é o momento, com o vírus a piorar, é francamente perigoso”.

Os comentários da primeira-ministra após as críticas do seu principal rival político, o líder do partido nacional da Nova Zelândia Todd Muller.

“Uma estratégia que diz que permaneceremos completamente fechados a todos durante os próximos 12 a 18 meses é simplesmente insustentável”, afirmou Muller na segunda-feira. “Não reconheceremos este país em termos de impacto económico se essa for a nossa realidade daqui a 12 a 18 meses”, acrescentou.

Contudo, grande parte do país defende a cautela apresentada pela primeira-ministra. Uma pesquisa recente realizada pela Stickybeak mostrou que, enquanto 24% das pessoas pensam que os acordos de viagem recíprocos devem ser estabelecidos com as ilhas do Pacífico, e 29% acham que o mesmo deve acontecer com a Austrália, quase 47% disseram que essas viagens não deveriam ser consideradas no momento.

As diferenças de opinião entre Muller e Ardern ocorre a menos de 100 dias da próxima eleição geral. Muller conseguiu obter leves subidas nas intenções de voto depois de assumir a liderança do partido, há menos de dois meses. No entanto, a pesquisa mais recente prevê um segundo mandato para Ardern.

ZAP ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. Concordo. De facto, a economia acaba por funcionar igualmente com o dinheiro turístico a ser investido internamente pelos cidadãos, ao mesmo tempo que podem circular em liberdade e sem preocupações extra com o covid-19, manter empregos, e manter o sistema de saúde em cargas naturais.

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