Polícia iraquiana acusada de torturar e executar civis na ofensiva contra Mossul

metrod / Flickr

Mossul, Iraque

As autoridades iraquianas vão investigar relatos de que elementos da polícia iraquiana torturaram e mataram civis de aldeias próximas de Mossul, por suspeitas de pertencerem ao Estado Islâmico.

A denúncia foi revelada pela Amnistia Internacional (AI), que visitou a província de Ninawa e reuniu provas de que pelo menos seis pessoas foram executadas no final de outubro.

“Homens com o uniforme da Polícia Federal Iraquiana realizaram vários assassinatos ilegais, torturando e depois deliberadamente matando a sangue frio residentes em aldeias no sul de Mossul”, disse Lynn Maalouf, vice-diretora do gabinete regional de Beirute da AI.

Segundo a organização defensora dos direitos humanos, cerca de 10 homens e um menino de 16 anos foram capturados pela polícia local. Os civis terão acenado com um pano branco e levantado as camisas para mostrar que não estavam a usar cintos explosivos e não representavam uma ameaça.

Os homens foram levados para uma zona deserta, onde foram agredidos com fios elétricos e cabos de espingardas. Os alegados polícias terão espancado e pontapeado os civis, pegando fogo à barba de um deles.

As vítimas foram ainda obrigadas a deitar-se de estômago para baixo e os agressores dispararam tiros entre as suas pernas, acusando-os de serem membros do Daesh.

Os iraquianos Ahmed Mahmoud Dakhil e Rashid Ali Khalaf foram separados do grupo maior, destaca a organização, onde a polícia iraquiana os espancou cruelmente antes de os matar. Os corpos foram encontrados cinco dias depois.

De acordo com informações recebidas pela Amnistia Internacional, outros quatro cadáveres foram descobertos e, posteriormente, enterrados sem autópsias.

“Matar deliberadamente detidos e outras pessoas indefesas é proibido pela lei humanitária internacional e é um crime de guerra”, destacou Lynn Maalouf.

“Quando a operação militar de Mosul começou, o primeiro-ministro Haider al-Abadi deixou claro que não seriam toleradas violações pelas forças armadas iraquianas e os seus aliados. Agora é a hora de al-Abadi provar isso”, sublinhou.

Para além de solicitar uma investigação, a Amnistia Internacional apela às autoridades iraquianas que garantam que as testemunhas dos crimes e as suas famílias sejam protegidas contra ataques de vingança ou intimidação.

Segundo dados da ONU, cerca de 1,5 milhões de civis continuam encurralados em Mossul e podem ser afetados pelas operações para a reconquista da cidade controlada pelo Daesh desde 2014.

BZR, ZAP

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