Divisão da polícia espanhola trabalhou para reunir provas falsas contra o Podemos

Ahora Madrid / Flickr

Pablo Iglesias, líder do Podemos

Uma unidade oficiosa da polícia espanhola trabalhou e chegou a viajar para o estrangeiro para fabricar provas que servissem para implicar o Podemos com a Venezuela, com o Hezbollah ou com as FARC, da Colômbia.

De acordo com o jornal La Vanguardia, as ações em causa foram ordenadas em 2015, sob as ordens do então diretor adjunto de operações da Polícia Nacional, Eugenio Pino, homem próximo do ministro do Interior da altura, Jorge Fernández Díaz.

Essa unidade, que trabalhou a coberto de uma operação da divisão de crimes económicos e fiscais, terminou no final de 2015 um relatório onde se implicava o Podemos – e a fundação CEPS, grupo de estudos políticos do qual fizeram parte vários fundadores do partido – num emaranhado de financiamento ilícito, tudo com centro e origem no regime chavista.

“O Podemos não é um partido que tenha sido criado há uns anos. É um partido que vem crescendo há muito tempo, com uma infraestrutura muito organizada e com a ajuda de grandes técnicos bolivarianos que têm planeado tudo até ao detalhe mais pequeno. Nasceu na operação denominada Caribe”, lê-se no relatório.

Este relatório chegou a ser entregue e apresentado à Procuradoria-Geral, mas ali foi rapidamente desconsiderado. De acordo com o jornal, o Ministério Público rejeitou dar seguimento ao caso, depois de rever a documentação em causa e acreditar que esta não reunia a qualidade nem a credibilidade necessárias para o caso ser investigado.

Foi só depois de não ter conseguido levar essa investigação avante que a equipa de investigação – “polícia patriótica” – tratou de passar as suas informações à imprensa espanhola, nomeadamente aos jornais OK Diario e El Confidencial, que durante muito tempo veiculou notícias sobre o alegado relacionamento do Podemos com a Venezuela de Hugo Chávez e de Nicolás Maduro.

Em causa, nas notícias publicadas em 2016, estavam dois supostos pagamentos feitos pelo governo de Chávez à fundação CEPS: um de sete milhões de euros e outro de 272 mil dólares. Esses pagamentos teriam sido feitos com a autorização de Chávez e de Rafael Isea, ministro das Finanças no ano de 2008, cargo que abandonou após ser eleito governador de Aragua, onde esteve entre 2008 e 2012.

Em 2013, Rafael Isea saiu da Venezuela fugiu para os EUA. Desde então estará a colaborar com as autoridades norte-americanas, às quais terá denunciado os supostos laços entre a cúpula chavista e importantes redes de narcotráfico.

Numa entrevista exclusiva ao canal televisivo La Sexta, publicada esta quinta-feira, o ex-ministro venezuelano reconheceu que a assinatura que aparece naqueles documentos é a sua, mas nega a autenticidade dos documentos.

Rafael Isea contou como “em março ou abril de 2016”, a escassos meses das eleições de junho, teve uma reunião com três investigadores da UDEF. Referindo que um deles era José Ángel Fuentes Gago, que outro tinha o apelido Bonifacio e que o terceiro elemento era uma mulher, Rafael Isea contou como o primeiro lhe terá dito que tinha luz verde do governo espanhol para aquela reunião e que, em troca de informações, podia oferecer ao ex-governante venezuelano e à sua família proteção em Espanha.

Na altura, Rafael Isea conta que acedeu a colaborar com as autoridades espanholas, prometendo que ia tentar perceber se havia uma rede de pagamentos ao Podemos e, no caso de esta se confirmar, como é que ela funcionava. Três anos depois, o ex-ministro chavista explicou que nunca viu os documentos — apenas assinou uma declaração que resumia aquilo que os documentos sugeriam.

Tem havido poucas reações por parte do anterior governo, liderado por Mariano Rajoy. Porém, segundo avançaram fontes próximas do ex-ministro do Interior Jorge Fernández Díaz, o governo não estava a par daquela iniciativa e atribui-a somente ao inspetor José Ángel Fuentes Gago.

ZAP //

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