Primeiro-ministro italiano demite-se e acusa Salvini de “irresponsabilidade”

Ettore Ferrari / EPA

O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, anunciou hoje a sua demissão, acusando o líder da Liga (extrema-direita), Matteo Salvini, de ter “olhado exclusivamente aos interesses pessoais e do seu partido” ao pôr fim à coligação de Governo em Itália.

“Vou ouvir todas as intervenções e depois irei ao Quirinale para me demitir”, disse Conte num discurso solene no Senado, referindo-se ao palácio presidencial, onde deverá apresentar oficialmente a demissão ao Presidente, Sergio Mattarella.

A crise em curso debilita a ação deste Governo, que acaba aqui”, disse, referindo-se à rutura da coligação entre a Liga de Salvini e o Movimento 5 Estrelas de Luigi di Maio.

Conte acusou Salvini, que é também seu vice-primeiro-ministro e ministro do Interior, de fazer o país “correr riscos graves”, evocando nomeadamente o perigo de “uma espiral de incerteza política e económica”, e de “oportunismo” e “irresponsabilidade institucional”.

“Matteo Salvini rompeu o contrato de Governo e agiu por interesse pessoal e político, comprometendo o interesse geral. Quando uma força política [que governa] faz as suas escolhas exclusivamente por interesses eleitorais, ela não compromete apenas a nobreza da política, mas também os interesses nacionais do país inteiro”, afirmou.

Na semana passada, Matteo Salvini apresentou uma moção de censura ao primeiro-ministro e afirmou que deixou de ter condições para trabalhar com o 5 Estrelas, seu parceiro de coligação há 14 meses.

Quando Giuseppe Conte apresentar a demissão ao chefe de Estado, Mattarella pode pedir-lhe que se mantenha no cargo por mais alguns dias enquanto procede a consultas para determinar se existe uma maioria alternativa no parlamento ou aceita a demissão e encarrega outro dirigente político de construir uma coligação alternativa.

Se nenhuma destas opções resultar, Mattarella pode dissolver o parlamento, abrindo caminho a eleições antecipadas, que podem realizar-se já no outono.

// Lusa

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2 COMENTÁRIOS

    • O tempo do totalitarismo em Italia é mais antigo que o nosso 25 de Abril, pelo que a maior parte das pessoas que viveu nesse tempo já morreu ou então são uma minoria.
      As actuais gerações que votam nunca viveram em ditadura por isso não sabem o perigo que correm com a extrema-direita.
      Em Portugal ainda vamos estando longe deste flagelo porque muitos dos Portugueses votantes ainda têm presente na memória os traumas do estado novo.

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