Plano Costa e Silva. Costa procura consensos, partidos apresentam lista de preocupações

Tiago Petinga / Lusa

António Costa vai receber hoje e amanhã os partidos para falar sobre o programa de recuperação da economia, com o plano de Costa Silva como ponto de partida do encontro. Os partidos já deixaram algumas pistas sobre o que os preocupa.

O primeiro-ministro, António Costa, reúne-se esta segunda e terça-feira em São Bento com os partidos com representação parlamentar, para abordar o Plano de Recuperação e Resiliência, documento que, diz o Público, classifica como estratégico e em relação ao qual o primeiro-ministro quer alcançar um “amplo consenso” político.

Na semana passada, o Governo recebeu das mãos do gestor António Costa Silva a versão final da Visão Estratégica que servirá de base ao plano nacional para recuperar a economia após o período de pandemia que assola o país. Depois de os partidos terem tido oportunidade de ouvir Costa Silva no Parlamento, deixaram algumas pistas sobre o que mais os preocupa.

O Partido Socialista quer que o plano seja consensual entre os partidos. Como o plano se deverá desenrolar nos próximos 10 anos, este estará de certeza presente durante três legislaturas, por isso o PS defende a necessidade de um consenso em torno dos grandes investimentos. Foi também este o motivo que levou o PS a chamar Costa Silva ao Parlamento — numa tentativa de o aproximar dos partidos.

O PSD defende ser necessário um Estado resiliente para a aplicação deste plano, que “garanta a igualdade de oportunidades, facilitador e que liberte burocracias”. Os sociais-democratas estão ainda preocupados com a dificuldade na hierarquia de prioridades, na articulação entre ações, nos prazos, nos custos e nas fontes de financiamento, e quer saber onde estão as “transformações para que este plano seja executado”.

Filipa Roseta, também deputada do PSD, mostrou-se ainda preocupada com a falta de aposta na coesão territorial e explica que “não vale a pena dizer que estamos a apostar na coesão territorial, quando pomos o dinheiro todo nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto”.

Para o Bloco de Esquerda, a redução da precariedade é um dos pontos em que o plano fica aquém do esperado. A transição energética, apesar de referida no documento, é vista pelo BE como tendo algumas contradições com o facto de o modelo de crescimento ali defendido continuar a apostar no consumo de recursos. Também a revitalização do interior surge aos olhos do BE como “apenas um discurso”.

O PCP está com dúvidas sobre quem vai beneficiar do plano. Os comunistas acreditam que foi o facto de Portugal estar perante uma Administração Pública “desnatada” que o Governo recorreu a este trabalho externo. De acordo com o Público, os comunistas estão também preocupados com os trabalhadores, pois no documento estes mais parecem um “objeto”, e “não um sujeito”.

O CDS reconhecee que deve haver um envolvimento dos vários sectores num plano a longo prazo, mas é preciso saber também que “disponibilidades” é que existem da parte do Governo, e que escolhas pretende fazer.  A distribuição dos fundos — dos quase 58 mil milhões de euros —  é outra das dúvidas.

O PAN critica o plano e considera-o demasiado focado em questões de consumo. O deputado André Silva mostrou-se ainda preocupado com falta de defesa de uma posição clara sobre o novo aeroporto de Lisboa, e com questões ambientais que não estão presentes no documento.

Para a Iniciativa Liberal, o plano é “um catálogo de ideias”. Entre as preocupações de João Cotrim de Figueiredo, estão a falta de visão estratégica do plano — que teme que seja uma “miragem poética com zero efeito prático”. O deputado da IL mostra-se muito cético em relação ao plano elaborado por Costa Silva, já que na apresentação do mesmo viu “uma descarada sessão de propaganda”.

Por sua vez, o PEV diz que o plano promove dicotomia entre espaço urbano e rural, e que é muito assente na utilização de recursos geológico. Segundo o Público, os Verdes sustentam que o plano “não deve assentar no investimento em infra-estruturas e matérias com avultado impacto ambiental”, e criticam o desfavorecimento da agricultura familiar, num plano que prioriza grandes empresas com a digitalização e modernização tecnológica.

Para o Chega, o plano é “fraco e redondo, não define uma estratégia realista. André Ventura critica de forma incisiva o plano de Costa e Silva face à situação de crise que o país já atravessa, e que “todos os dados apontam se irá agravar em breve”. Outra das preocupações do Chega é o facto de a estratégia prevista no plano ser “profundamente desconhecedora da realidade de vários distritos, especialmente daqueles que foram mais afetados pela crise, como é o caso de toda a região do Algarve.

Hoje serão conhecidos novos contornos do plano de António Costa e Silva.

ZAP //

PARTILHAR

4 COMENTÁRIOS

  1. O plano do António Costa & Silva é mais corrupção, peculato, branqueamento de capitais, recebimentos indevidos de vantagem que já vamos conhecendo desde o 25/4 incluindo o tempo do Sóares, do Prof. Silva, do Guterres, com especial intensidade no tempo do Sócrates e que só não terá passado pelo Passos (ainda não é seguro afirmar pq decorrem investigações) por causa do controlo da Troika. Já CHEGA!

  2. Estamos a ir mal. Agora surgiu uma tonteria generalizada de que apostamos na ferrovia e o país salta para o topo dos países desenvolvidos. Por aqui, acho que os nossos dirigentes ainda não compreenderam o essencial: o que faz a diferença não são as máquinas e os recursos materiais, são as pessoas. Temos de investir mais na educação, na investigação e na criação de spin offs entre Universidades, Politécnicos, Centros de Investigação e meio empresarial. Temos de criar condições para os melhores não fugirem do país. De que nos vale o comboio se depois não tivermos empresas competitivas? Apenas servirá para trazer mais produtos importados.
    É urgente criar condições para reduzir custos e aumentar a competitividade das empresas nacionais. A ferrovia é importante nas exportações mas está longe de ser tudo. E que tal reduzir os custos energéticos e o custo do trabalho (subentenda-se os impostos e contribuições pagos pelas empresas ao Estado)? E que tal ter uma justiça acessível e que funcione atempadamente? E a prometida desmaterizalização, simplificação e digitalização do relacionamento do contribuinte / cidadão / empresa com o Estado nas suas múltiplas vertentes? E o pacto regime na área fiscal que possibilite uma estabilidade de longo prazo em matéria de impostos? Todos estes fatores são igualmente determinantes para a vida das empresas. Não é apenas a ferrovia.
    Do que vi parece-me que a estratégia delineada é curta em ambições e demasiado fechada sobre a ferrovia. Se assim for, iremos perder uma oportunidade de ouro para fazer as reformas que o país precisa.

  3. Note-se:
    A ferrovia é importante, mas apenas quando tivermos comboios de produtos para exportar para o espaço europeu e neste caso deve ser paga pelos próprios agentes económicos.
    O hidrogénio é importante embora 10 vezes mais perigoso que a energia nuclear, mas só quando se estiver na iminência de esgotar toda energia que produzimos e que neste momento temos de exportar a preços de perder dinheiro para garantir a reserva girante.
    É importante ter um aeroporto capaz, mas para servir todo o país e não apenas Lisboa. Por isso, não deve ficar pelo Montijo nem Ota ou tampouco Alcochete. Tem de ficar próximo do centro geodésico do país, servido por autoestrada e ferrovia.

RESPONDER

Role play ao serviço da Ciência. Investigadores fingem ser Neandertais para estudar caça a aves

Uma equipa de investigadores espanhóis decidiu adotar a "dramatização" científica para reconstruir um novo elemento do comportamento Neandertal: a cooperação com os membros do grupo enquanto usa fogo e ferramentas para caçar gralhas no interior …

Estoril 0-1 Sporting | Figueira deu o fruto que saciou o leão

Foi preciso surgir um erro crasso do guarda-redes estorilista (até então a fazer uma belíssima exibição) para o campeão nacional poder respirar de alívio e festejar a quarta vitória na Liga, esquecendo por agora a …

A tinta mais branca do mundo ajuda a poupar energia nas casas - e pode eliminar de vez o ar condicionado

Uma equipa de investigadores da Universidade de Purdue desenvolveu uma tinta tão branca que revestir um prédio com ela pode reduzir, ou até mesmo eliminar, a necessidade de ter ar condicionado. Depois de testar mais de …

Costa promete "lição exemplar" à Galp depois de "tanto disparate" em Matosinhos

O secretário-geral do PS, António Costa, considerou hoje que “era difícil imaginar tanto disparate, tanta asneira, tanta insensibilidade” como a Galp demonstrou no encerramento da refinaria de Matosinhos, prometendo uma “lição exemplar” à empresa. Falando em …

Porto 5-0 Moreirense | Días, Taremi e Fábio, o trio maravilha

O Porto foi o primeiro dos “grandes” a entrar em campo e deu o mote, e que mote. Os “dragões” receberam o Moreirense e golearam sem apelo nem agravo, por 5-0, graças a uma segunda …

Ronaldo volta a marcar pelo United em jogo com final frenético

O português Cristiano Ronaldo voltou hoje a marcar pelo Manchester United, mas foram Lingaard e David de Gea que ‘brilharam’ na vitória sobre o West Ham, por 2-1, em jogo da quinta jornada da Liga …

O Cumbre Vieja, num dos complexos vulcânicos mais ativos nas Canárias, entrou em erupção

O vulcão Cumbre Vieja, na ilha espanhola de La Palma, entrou hoje em erupção na zona de Las Manchas, depois de mais de uma semana em que foram registados milhares de sismos na região. Na zona, …

Portugal regista 677 novos casos de covid-19 e cinco mortes

Portugal registou, este domingo, 677 novos casos e cinco mortes na sequência da infeção por covid-19, de acordo com o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS). Segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde, Portugal …

Estudo mostra como diferentes espécies de polvos coexistem no mesmo ambiente

Existem mais de 300 espécies de polvos a viver em diversos habitats que abrangem recifes de coral, leitos de ervas marinhas, planícies de areia e regiões de gelo polar. Mas de que forma cefalópodes tão …

As máquinas estão "muito longe" de serem mais inteligentes (mas muito perto de agir como pessoas)

A especialista em inteligência artificial Daniela Braga considera que as máquinas estão "muito longe" de substituírem totalmente os humanos ou serem mais inteligentes, mas estão "muito perto" de interagirem como as pessoas. "Acho que estamos muito …