Pensar que só existe vida na Terra é uma arrogância

nasa2explore / Flickr

O astronauta canadiano Chris A. Hadfield, em 2001, em actividade extra-veicular (EVA) num voo do vaivém Endeavour, da NASA

O astronauta canadiano Chris A. Hadfield, em 2001, em actividade extra-veicular (EVA) num voo do vaivém Endeavour, da NASA

O astronauta canadiano Chris Hadfield, autor de um livro autobiográfico recentemente editado em Portugal, considera “uma arrogância” pensar-se que só existe vida na Terra, sustentando que a exploração espacial “vai continuar”, porque faz parte da “natureza humana”.

Chris Hadfield, 56 anos, reformou-se em 2013, ao fim de 21 anos de carreira como astronauta. Participou em três missões espaciais, a última das quais, há três anos, como comandante de uma expedição à Estação Espacial Internacional, onde esteve durante cinco meses.

Foi o primeiro astronauta canadiano a fazer uma caminhada espacial e a comandar uma expedição à estação.

Apesar de reformado, continua a assumir-se como astronauta, o que decidiu ser aos nove anos, quando o homem pisou a superfície da Lua. Ser astronauta não é um emprego, é o que o define como pessoa, vincou. Hoje, dá palestras a relatar a sua experiência.

O livro autobiográfico “Guia de um astronauta para viver bem na Terra“, o primeiro que Hadfield escreveu, foi publicado em Portugal pela editora Pergaminho.

Traduzido em 21 línguas, vê-o como “um esforço” de “ser útil” às pessoas, para que percebam “algumas das ideias que tornam a vida no espaço possível”, e de que modo podem tomar diferentes decisões nas suas vidas, para que sejam “produtivas e úteis”.

No seu caso, determinou as decisões, nomeadamente a formação de base em engenharia mecânica e como piloto da aviação militar, em função de “um desafio” de vida de “longo prazo”: quis ser astronauta quando o Canadá não tinha sequer uma agência espacial e a NASA, agência espacial norte-americana, só aceitava cidadãos dos Estados Unidos.

O que parecia impossível, o de participar na “aventura espacial”, tornou-se possível, tal como a chegada do homem à Lua, em 1969, que o inspirou: a oportunidade de ser astronauta surgiu quando, anos mais tarde, em 1992, foi recrutado pela agência espacial canadiana, a CSA, criada em 1989.

Teve “o privilégio” de ver o mundo a cada 92 minutos, o tempo que a Estação Espacial Internacional demora a dar uma volta à Terra. O mundo, que fazia parte “dos sonhos” dos exploradores marítimos, é agora “uma realidade que passa em hora e meia”, sublinhou.

Do espaço, Portugal atravessa-se num minuto.

nasa2explore / Flickr

O astronauta canadiano Chris A. Hadfield, engenheiro de voo da Expedição 34 da Estação Espacial Internacional (2013)

A perceção que se tem habitualmente do mundo “é extremamente limitada e filtrada”, apontou, numa referência aos problemas do dia-a-dia. Do espaço, vê-se o mundo como ele é, “com as suas ‘cicatrizes’, a sua natureza, a sua idade”, advogou.

Para Hadfield, os maiores desafios na exploração do espaço serão tecnológicos. “Estamos muito limitados pela tecnologia. Mas, a seu ver, isso não é um entrave. A compreensão do nosso planeta” é o “resultado direto de riscos” assumidos pelo homem e da “superação dos desafios tecnológicos”, frisou.

A exploração espacial, sim, “vai continuar”, acentuou, porque, de outra maneira, seria “contrariar a história, a natureza humana”, que levou navegadores a percorrerem mares nunca antes navegados.

O astronauta entende que existe uma verdadeira civilização de exploradores do espaço desde 1961, ano em que o primeiro homem, o cosmonauta Iuri Gagarin, viajou para o espaço, e lembrou que o homem já aterrou na Lua, em 1969, e sai da Terra e vive permanentemente no espaço, na Estação Espacial Internacional, desde 2000.

“Inevitavelmente, vamos viver permanentemente mais longe… a Lua será a seguir”, admitiu, recordando que o satélite natural da Terra está ao alcance de “três dias de viagem”.

Chegar a Marte, para onde a NASA e a congénere europeia ESA apontam baterias, face à possível existência de sinais de vida, “vai levar algum tempo“, é uma missão “complicada, perigosa e cara”.

“Assim que provarmos que a tecnologia é suficiente, na superfície da Lua… [isso] talvez nos dê a confiança de que vale a pena viajar para tão longe quanto Marte”, defendeu. Segundo Chris Hadfield, “é uma arrogância” pensar-se que só existe vida na Terra, perante um “número tão grande de planetas” no Universo, que “vale a pena explorar”.

“Uma das principais razões para explorar o espaço é descobrir quais são as limitações da nossa existência”, sustentou. Ser-se astronauta implica “treinar durante décadas e memorizar tudo”.

“Aprender, compreender e lembrar”, enfatizou. É isso que, afirmou, faz a diferença entre a vida e a morte, o que está sempre em jogo numa viagem espacial.

// Lusa

PARTILHAR

RESPONDER

Contratos de associação dos colégios privados. Ministério da Educação vence todos os 55 processos judiciais

Em todos os 55 processos judiciais que os colégios privados moveram contra o Ministério da Educação em 2016, na sequência da polémica dos contratos de associação, todas as 55 decisões foram favoráveis ao Governo. O jornal …

Famílias numerosas podem pedir desconto no IVA da luz a partir de março

As famílias com cinco ou mais elementos só poderão usufruir da redução do IVA da eletricidade a partir de 1 de março e terão de o requerer junto do seu fornecedor, segundo uma portaria esta …

Vacina da gripe disponível para mais grupos. Farmácias temem não ter stock suficiente

A vacina da gripe está, a partir desta segunda-feira, disponível para mais grupos populacionais com o início da segunda fase da campanha, que estende a vacinação a pessoas com 65 ou mais anos e pessoas …

Franceses em protesto para homenagear professor decapitado. Autoridades procuram radicais islâmicos

Milhares de pessoas reuniram-se no domingo no centro de Paris numa demonstração de repúdio pela decapitação do professor que mostrou aos seus alunos desenhos do Profeta Maomé. Os manifestantes da Praça da República ergueram cartazes onde …

Proud Boys acreditam na vitória de Trump: "Vamos Ganhar". Voto antecipado começa hoje na Florida

O líder do grupo Proud Boys disse à Lusa, durante uma manifestação em Miami, que Donald Trump vai vencer as eleições presidenciais norte-americanas, e rejeitou a acusação de que é dirigente de uma organização extremista. …

Projeto desenvolve testes rápidos de baixo custo para detetar imunidade

Um consórcio de universidades e uma empresa querem desenvolver "testes rápidos e de baixo custo" para detetar a resposta imunitária ao vírus SARS-CoV-2. O projecto TecniCov, que "obteve um financiamento de 450 mil euros da Agência …

"Medo constante". Human Rights Watch denuncia tortura na Coreia do Norte

Uma organização não-governamental denunciou esta segunda-feira que o sistema norte-coreano de detenção pré-julgamento e de investigação é cruel e arbitrário, com ex-detidos a descreverem tortura sistemática, corrupção e trabalhos forçados não-remunerado. No relatório de 88 páginas, …

"Cibermáfia". Rede de criminosos "lavou" milhões de euros em Bancos portugueses

Uma rede de criminosos com origem na Europa de Leste montou um esquema de lavagem de dinheiro roubado em ataques informáticos através de Bancos de países como Portugal. Esta "cibermáfia", como é apelidada pelo Jornal de …

Diplomatas chineses e taiwaneses entram em confronto físico nas ilhas Fiji

Diplomatas da China e funcionários do Governo de Taiwan entraram em confronto físico durante uma receção nas ilhas Fiji, que marcou o dia nacional de Taiwan, ilustrando a crescente tensão entre Pequim e Taipé. A luta …

Mais 1.949 infetados, 17 mortes e 966 recuperados. Portugal passa barreira dos 100 mil casos

Portugal registou nas últimas 24 horas mais 1.949 casos de covid-19, 17 mortes associadas à doença e 966 recuperados, de acordo com o boletim da Direção-Geral da Saúde publicado esta segunda-feira. O número total de infeções …