Pedro Proença candidata-se à Liga

Sérgio Azenha / Lusa

O ex-árbitro Pedro Proença na apresentação da sua candidatura à presidência da Liga Portuguesa de Futebol Profissional

O ex-árbitro Pedro Proença na apresentação da sua candidatura à presidência da Liga Portuguesa de Futebol Profissional

O ex-árbitro internacional Pedro Proença anunciou esta quinta-feira, em Coimbra, ser candidato à presidência da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP).

Pedro Proença, com o lema “Credibilizar a Liga, criar valor, internacionalizar”, disputará a liderança da Liga com Luís Duque, presidente do organismo.

O prazo para entrega das candidaturas termina hoje, às 18h00, estando as eleições marcadas para terça-feira, 28 de julho.

Depois de “uma profunda reflexão e do resultado dos diversos contactos” que estabeleceu “nas últimas semanas”, o ex-árbitro internacional decidiu candidatar-se àquele lugar porque acredita que pode ser “uma solução de convergência”.

Com um projeto “rigoroso e de ambição”, que “assenta em três objetivos fundamentais” (profissionalizar, credibilizar e criar valor), Pedro Proença, que falava durante uma conferência de imprensa num hotel de Coimbra, afirmou que quer que a Liga “seja forte, coesa e que dignifique o futebol profissional português nas suas principais competições”.

Assegurando que a sua candidatura “não é contra ninguém” e que, se vencer, no dia seguinte às eleições não haverá vencedores, nem vencidos, “mas sim, um projeto conjunto que conta com todos”, Pedro Proença sublinhou que a sua candidatura “tem como matriz, um forte empenho de todos os clubes e para todos os clubes, sem exceção”, da primeira e segunda ligas de futebol.

Pedro Proença anunciou, por outro lado, que não apresentará “lista nem à Mesa da Assembleia Geral, nem ao Conselho Fiscal”, pois “estes são dois órgãos cuja constituição foi construída com base num bom trabalho de entendimento entre os clubes em 2014, o qual deve ser enaltecido e preservado”.

Do mesmo modo, para “o novo órgão nascido da revisão dos estatutos – o Conselho Jurisdicional” – Pedro Prença apresentará como candidato a presidente a mesma pessoa que presidia à anterior Comissão Arbitragem.

“Quero também deixar bem claro que não tenho a perspetiva de que os projetos devam nascer, necessariamente, de uma política de terra queimada”, salientou.

Mas há “muito a melhorar” e “muito a fazer”, advertiu.

Garantir a sustentabilidade do negócio“, “acompanhar os modelos de sucesso na Europa”, “criar uma nova identidade”, “definir um business plan mensurável e exequível”, “rentabilizar as várias vertentes do espetáculo”, “atrair mais público e mais patrocínios” são prioridades de Pedro Proença para “credibilizar o negócio futebol”.

O projeto do antigo árbitro assenta numa “estratégia e prioridades bem delineadas, que têm como objetivo central valorizar o espetáculo, aumentar o valor da marca ‘Futebol’ e a sua reputação, profissionalizando a oferta de forma a gerar mais receita para os clubes da primeira e segunda Liga”, afirmou.

“Repito: gerar mais receita!”, insistiu Pedro Proença, propondo-se, designadamente, “revitalizar a marca ‘futebol português’, enquanto negócio”, adequar a “estrutura profissional da Liga ao novo modelo de negócio” e “credibilizar o futebol nacional representando a sensibilidade dos clubes portugueses junto das instâncias internacionais”.

“O meu único compromisso é com o ‘clube Liga’ e com todos os seus associados por igual”, garantiu Pedro Proença.

Luís Duque formaliza recandidatura à Liga e critica Pedro Proença

Luís Duque apresentou também hoje a recandidatura à presidência da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), respondendo assim “ao repto dos clubes na Assembleia Geral e à moção de confiança apresentada”.

O presidente da LPFP afirmou ter recolhido assinaturas de 10 clubes, cinco da I Liga (Benfica, Belenenses, Boavista, Tondela e Braga) e outros tantos da II (Mafra, Oriental, Farense, Aves e Famalicão), para “simbolicamente espelhar a necessidade de ter competições mais fortes”.

Luís Duque criticou ainda a candidatura de Pedro Proença, considerando que “é algo que já acontece de forma tardia”.

“É uma candidatura que vem atrasada. Aquele tipo de discurso [de Pedro Proença] fazia mais sentido se fosse há 9 meses, quando a Liga estava falida e dividida. Neste momento, é uma entidade credível e está estabilizada financeiramente. O primeiro passo foi dado”, defendeu o dirigente.

Duque também criticou Proença por envolver “entidades terceiras” na decisão de avançar com a candidatura para a presidência da Liga, classificando a atitude como “preocupante”: “Consultou a APAF, as associações de treinadores e jogadores mas a Liga é dos clubes. Parece-me desajustado e preocupante que haja esse envolvimento em questões que só aos clubes dizem respeito”.

Luís Duque mostrou-se ainda surpreendido por não ter o apoio do FC Porto, que o apoiou em outubro.

“Terão as suas razões. A certa altura entenderam que o caminho a seguir devia ser outro. Mas estou surpreendido. Não é, de certeza, pelo trabalho que foi feito, não é pelos resultados que alcançámos, não é por termos conseguido a estabilidade financeira, não é por termos conseguido angariar os contratos que angariámos”, disse ainda.

Sobre o Sporting, que também apoia a candidatura de Pedro Proença e que não esperava ver Duque avançar caso aparecesse outro candidato apoiado pelo clube de Alvalade, o dirigente é perentório: “Assumi que era a minha obrigação, enquanto sócio do Sporting. Até que, infelizmente, me tiraram o cartão. Estou suspenso de sócio e, neste momento, lealdade nenhuma me liga a esta direção do Sporting”.

ZAP / Futebol365 / Lusa

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