No debate entre o partido que “perde gás” e o “cool do Príncipe Real”, o tamanho importou

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rtppt / Flickr

André Ventura, líder do Chega, e João Cotrim de Figueiredo, presidente da Iniciativa Liberal, em debate

André Ventura, líder do Chega, e João Cotrim de Figueiredo, presidente da Iniciativa Liberal, em debate

João Cotrim de Figueiredo tentou provar que o Chega é “incompetente”, André Ventura quis mostrar que a Iniciativa Liberal é um partido de “privilegiados”. Com os líderes partidários a tratarem-se por tu, a troca de galhardetes intensificou-se ao longo do debate, transmitido este domingo à noite, na RTP3.

João Cotrim de Figueiredo e André Ventura têm algumas semelhanças: além de serem ambos deputados únicos, podem disputar – principalmente na área económica – o mesmo eleitorado.

No entanto, no debate deste domingo à noite, a afinidade pouco importou: os líderes concentraram-se em pôr em xeque o adversário e em evidência o que os separa.

O pontapé de saída coube a Ventura, que abriu as hostilidades para denunciar o “arranjo entre PSD, CDS e Iniciativa Liberal” que tem como intuito “passar a mensagem política de que o Chega não conta”. A crítica é fundamentada pelo facto de estes três partidos rejeitarem formar um Governo de que o Chega faça parte.

Neste tema, a novidade do debate: o recuo de André Ventura.

Se há uns dias, com o balanço das sondagens a empurrarem o Chega para o terceiro lugar, André Ventura sublinhou que não viabilizaria um Governo de Rui Rio caso esse Executivo não tivesse ministros do Chega, agora dá um passo atrás para garantir que “admitimos tudo, porque a nossa posição não é destrutiva“.

A mudança de estratégia é clara. Agora, o deputado único admite todos os cenários, até um que implique ficar de fora de um acordo. “Agiremos consoante a nossa consciência, que é ver o programa e analisar.”

Entre sorrisos, João Cotrim de Figueiredo ia atirando: “a estratégia do Chega falhou”, “está a perder gás“, “é desorganizado”, “diz tudo e o seu contrário” e defende “políticas extremistas e populistas”. As alfinetadas estavam dadas, a ferida aberta e o tom do debate traçado.

Em relação à solução governativa dos Açores, o líder da Iniciativa liberal garantiu que não se repetirá no Continente – até porque o partido de André Ventura queria tanto ser “incontornável” que agora “ninguém o quer”. “O Chega não é confiável.”

“E a Iniciativa Liberal, é?”, contra-atacou Ventura, acusando os liberais de não quererem saber de Portugal. A IL “não é de esquerda nem de direita, é do lucro”.

“O tamanho importa”

Cotrim de Figueiredo puxou o argumento da incoerência para atacar o adversário, desta vez sob o mote da TAP.

Munido de fotografias de uma manifestação do Chega, onde se vê uma faixa com a frase “a TAP é para os portugueses”, o liberal acusou o adversário de, agora, defender que a companhia aérea deveria ser privatizada, num sinal claro de que é incapaz de lidar com propostas impopulares.

Sobre esse assunto, Ventura deixou claro que “há interesses estratégicos que é necessário assegurar”, pelo que o seu partido admite “as duas soluções”.

Na resposta, e não se deixando ficar, disse que a IL também mudou de posição, nomeadamente no que diz respeito ao pagamento oneroso a que os estudantes do Ensino Superior estariam sujeitos no modelo defendido pelo partido, no programa de 2019.

A medida colocava os estudantes como “devedores da totalidade do valor” que pagaram pelo curso e dos respetivos juros, num prazo máximo de 30 anos. Mas “já não está no nosso programa“, esclareceu João Cotrim de Figueiredo.

E se Ventura decidiu falar de documentos escritos, Cotrim decidiu não deixar a oportunidade fugir. Com o programa do Chega numa mão e o da Iniciativa Liberal na outra, referiu que “além de não ser confiável, o Chega não é competente”.

“Já vi trabalhos do ensino secundário com mais densidade”, atirou o liberal. “Então, o que conta é o tamanho?”, questionou, gracejando, o líder do Chega.

Cool e beto do Príncipe Real”

Num ponto do debate em que as águas estavam já em ebulição, João Cotrim de Figueiredo acusou o partido de Ventura de dividir os portugueses “em caixinhas consoante a sua etnia e nacionalidade”.

Ventura, em tom misto de defesa e ataque, respondeu que o líder da IL “gosta de ser cool e beto do Príncipe Real”, acusando Cotrim de Figueiredo de votar contra medidas anticorrupção por querer “um país de bandalheira”.

À semelhança dos debates anteriores em que Ventura marcou presença, o atual modelo de Rendimento Social de Inserção (RSI) também foi assunto. Já preparado, Cotrim de Figueiredo mostrou um gráfico em que concluiu que “precisávamos de pagar 220 anos de apoios às pessoas de etnia cigana para gastar o mesmo dinheiro” que na TAP.

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A pergunta que fechou o debate fez menção a um possível diálogo com o PSD, desta vez com enfoque no líder, Rui Rio.

Se André Ventura respondeu que o social-democrata “nunca seria o primeiro-ministro de que Portugal precisa”, Cotrim assumiu uma posição diferente, dizendo que as “ideias são mais importantes do que as pessoas. Nesse sentido, Rio pode, sim, “ser um bom primeiro-ministro com um bom programa e se nunca perder a determinação de o executar”.

Antes de o frente-a-frente terminar, Ventura deixou escapar por três vezes a frase: “Já se vendeu PSD.”

A maratona de debates continua esta segunda-feira. Catarina Martins (BE) encontra-se com Inês Sousa Real (PAN) pelas 18h15 na RTP3; Rui Rio (PSD) debate com João Cotrim de Figueiredo (IL) na SIC, pelas 21 horas; e a noite termina com o frente-a-frente entre Francisco Rodrigues dos Santos (CDS) e Rui Tavares (Livre), às 22 horas, na CNN Portugal.

  Liliana Malainho, ZAP //

4 Comments

  1. Tão à portuguesa… se fossem de esquerda tudo seria normal…

    Como não são, já são chamados de betinhos e cool… mal vai este País à beira mar plantado, quando temos uma comunicação social tão pouco isenta e a apoiar sempre a esquerdalha que temos…

  2. Pelo facto da comunicação social estar sempre a apoiar a esquerda…por mim mudo destes que me enganaram e roubaram durante anos…vou então dar gás a este guerreiro…

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