Paixão pelo futebol é semelhante ao “amor romântico”

DR FCPorto / Facebook

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A paixão pelo futebol motiva nos adeptos reacções semelhantes às que se sentem no “amor romântico”, concluiu um estudo desenvolvido, durante três anos, por investigadores da Universidade de Coimbra (UC).

A paixão pelo futebol, como é sabido, “desperta emoções, por vezes irracionais, que atravessam a fronteira entre o amor tribal e o fanatismo”, afirma a UC, numa nota enviada à agência Lusa, a propósito de uma investigação pioneira que lança “alguma luz” sobre o assunto.

Essa tensão entre amor e fanatismo, que “implica simultaneamente o sentimento de pertença a um grupo e de rivalidade com outros grupos”, é o que “define o amor tribal“, sublinha a UC, referindo que a investigação foi realizada no Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS).

Os investigadores Catarina Duarte, Miguel Castelo-Branco e Ricardo Cayolla estudaram o cérebro de 56 adeptos, na sua maioria das claques oficiais da Académica de Coimbra e do Futebol Clube do Porto, cujo nível de paixão foi avaliado através de pontuações de avaliação psicológica.

Os participantes na investigação, 54 homens e duas mulheres, com idades compreendidas entre 21 e 60 anos, foram expostos a vídeos emocionalmente intensos, quer positivos (golos com significados especiais, por exemplo), quer negativos ou neutros.

No estudo, publicado na SCAN – “uma das revistas de neurociências das emoções mais prestigiadas a nível mundial” –, foi observada “a ativação de circuitos cerebrais de recompensa que são semelhantes aos que são ativados na experiência do amor romântico“, afirma Miguel Castelo-Branco, coordenador da investigação.

“Em particular, os circuitos de memória emocional são mais recrutados pelas experiências positivas do que pelas negativas”, salienta Miguel Castelo-Branco, citado pela UC.

Isto significa que “a paixão tende a prevalecer sobre os conteúdos mais negativos, como, por exemplo, de derrota com o rival, que tendem a ser suprimidos da memória emocional”, acrescenta Miguel Castelo-Branco.

O estudo coloca assim em relevo “os aspetos positivos desta forma de amor tribal e de que o cérebro dispõe de mecanismos para suprimir conteúdos negativos”, realça o especialista, notando que “o cérebro parece ter mecanismos de proteção contra memórias suscetíveis de levar ao ódio tribal”.

“Curiosamente, quanto maior o ‘score’ de paixão clubística medida psicologicamente, maior é a atividade em certas regiões do cérebro associadas a emoções e recompensa, algumas semelhantes às envolvidas no amor romântico”, conclui o coordenador do estudo.

// Lusa

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