O “país ficou mais robusto após a troika”, diz Teixeira dos Santos

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Miguel A. Lopes / Lusa

Ex-ministro das Finanças do Governo de José Sócrates, que recentemente publicou o livro “Mudam-se os Tempos, Mantêm-se os Desafios”, foi entrevistado pela RTP 3.

Segundo o Diário de Notícias, o antigo ministro das finanças do PS, Fernando Teixeira dos Santos, disse que o governo de José Sócrates deu uma “resposta insuficiente” à crise, dando a “ilusão” de que iria passar com as “medidas de caráter defensivo“.

“Reconheço que a nossa resposta foi insuficiente. Não foi capaz de convencer os mercados. […] Por razões políticas que também aqui refiro”, realçou o ex-ministro.

“Tinha custos políticos. Houve sempre muita relutância em tomar medidas que pudessem ser suficientemente fortes e ousadas para enfrentar crise”, referiu Teixeira dos Santos, na entrevista conduzida pelo jornalista Vítor Gonçalves.

“Houve relutância em tomar medidas suficientemente fortes. Portugal não era nem é a Grécia. Numa fase inicial havia muita incerteza quanto à natureza da crise. Precisávamos de uma bazuca internacional, como a que existiu agora. Não houve coragem política para um programa mais ousado”, começou por explicar.

“Quando a Irlanda pediu ajuda externa, disse ao primeiro-ministro que a seguir íamos nós. O primeiro-ministro quis adiar, quis esperar por Espanha. Foi empurrando o problema para a frente”, recordou o antigo ministro.

Teixeira dos Santos publicou recentemente o livro “Mudam-se os Tempos, Mantêm-se os Desafios“, e relembrou que ao nível dos ministros das Finanças UE estava já a ser “muito pressionado para que Portugal tomasse medidas”.

O ex-ministro lembrou que o então primeiro-ministro, José Sócrates, argumentava com a reputação internacional e com os mercados.

“A reputação já não estava bem […]. As medidas do PEC 4 [Programa de Estabilidade e Crescimento] impunham sacrifícios significativos. Nós já estávamos fora dos mercados”, anotou, acrescentando que um “default seria desastroso para a Banca”.

Teixeira dos Santos revelou ter chegado a pedir a demissão a Sócrates e que este a aceitou. Mas a saída do ministro não se concretizou devido à queda do Governo, na sequência da rejeição do novo Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC).

“A negociação do PEC 4 foi muito difícil. Vi que a relação entre o Governo e a bancada do Partido Socialista foi muito difícil por minha causa e pedi a demissão. O primeiro-ministro compreendeu e aceitou o pedido de demissão, mas acabou por não se concretizar porque o programa não foi aceite e o próprio primeiro-ministro pediu a demissão”, contou.

O ex-ministro das Finanças do Governo de Sócrates admitiu ainda que o país ficou mais “robusto” após a intervenção da troika.

“O país ficou mais robusto após a troika. Em 2015 ainda não estava corrigida inteiramente a situação do défice, mas as finanças públicas estavam numa trajetória de correção e melhoria. Desde 2013 que Portugal está numa situação de equilíbrio externo, em que as importações não são superiores às exportações. É a primeira vez desde o século XIX que isto acontece”, rematou.

  ZAP //

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