Pai de Valentina terá tentado matar-se com lâmina fornecida pela prisão. Está na ala psiquiátrica

Paulo Cunha / Lusa

Inspectores da Polícia Judiciária acompanham o pai (D) de Valentina Fonseca, a menina de 9 anos que foi encontrada morta numa zona de mato.

Sandro Bernardo, o homem de 32 anos que é suspeito de matar a filha Valentina Fonseca, de 9 anos, foi encontrado ensanguentado na sua cela na prisão. Terá tentado matar-se com uma lâmina fornecida pelo estabelecimento prisional, no kit de higiene. Foi internado na ala psiquiátrica.

O pai de Valentina foi transportado de urgência, nesta sexta-feira, do Estabelecimento Prisional de Lisboa para o Hospital de São José, com cortes no corpo. Ele terá tentado suicidar-se com uma lâmina de barbear, como apurou o Correio da Manhã (CM).

Pelo menos, terá sido essa a versão que Sandro Bernardo apresentou, frisando que fez os cortes com “as lâminas de duas giletes que lhe foram dadas” no kit de higiene distribuído na prisão, como atesta o CM.

Depois de ter sido assistido no hospital, onde terá feito uma pequena cirurgia para debelar os ferimentos, Sandro Bernardo foi transferido para a ala psiquiátrica do Hospital Prisional de Caxias, onde se encontra agora.

Sandro Bernardo estava em isolamento numa ala anexa à Polícia Judiciária, numa medida de contenção devido à pandemia de covid-19.

A sua mulher Márcia, madrasta de Valentina, está também a cumprir quarentena na cadeia de Tires. Ela está a ser “vigiada de noite, a cada hora, para evitar que atente contra a própria vida”, como sustenta o CM.

O casal encontra-se em prisão preventiva pelas suspeitas da morte de Valentina, de 9 anos, que foi encontrada morta numa zona de mato, em Peniche, depois de ter sido dada como desaparecida pelo pai.

Sandro Bernardo está indiciado pelos crimes de homicídio qualificado, profanação de cadáver e violência doméstica contra a filha. Márcia responde por homicídio qualificado por omissão e profanação de cadáver.

Pai de Valentina confessou crime “sem mostrar emoções”

A história do desaparecimento de Valentina, comunicada pelo pai e pela madrasta da criança às autoridades, estava tão bem contada que pareceu mentira “desde o início”, revela uma fonte da Polícia Judiciária (PJ) citada pelo Expresso (acesso pago).

Suspeitámos do casal desde o início. Desde logo porque não faz sentido uma criança fugir de casa à 1 da manhã, de chinelos. E sabendo que Valentina tinha medo do escuro. Além disso, tinham os depoimentos demasiado parecidos”, refere esta fonte da PJ.

O semanário revela que no dia em que Sandro Bernardo cedeu finalmente, confessando que tinha agredido a filha aos inspectores da PJ, “bastou uma hora e meia de interrogatório cerrado”.

O “depoimento de Sandro Bernardo foi frio, sem mostrar emoções“, aponta o jornal, onde uma fonte policial relata que “ainda não tinha racionalizado bem o que tinha feito”.

Ao longo do interrogatório, Sandro Bernardo terá sempre defendido a mulher, “garantindo que Márcia quis chamar o INEM durante as longas horas de agonia de Valentina, que começou por ser agredida ao início da manhã na casa de banho e morreu ao final da tarde”, reporta o Expresso.

Mas nem a PJ, nem o Ministério Público, acreditam nesta versão, considerando que “ela teve tempo mais do que suficiente para chamar as autoridades e salvar a vida da criança”, cita o jornal.

A madrasta terá assumido em tribunal que que viu “um pedido de ajuda” no olhar da menina, mas, apesar disso, não fez nada para a ajudar. Alegou que tinha medo de Sandro Bernardo porque ele já lhe “tinha batido antes”.

Ao Expresso uma fonte da polícia nota ainda que os ensinamentos obtidos com o caso de Madeleine McCann, a menina inglesa que desapareceu no Algarve a 3 de Maio de 2007, ajudaram a resolver mais depressa a história de Valentina.

“Ainda ninguém se esqueceu do que aconteceu com a Maddie“, refere esta fonte.

Assim, desde as primeiras horas, foram tomadas várias medidas como a comunicação do desaparecimento da criança de Peniche às redes europeias de polícia, o isolamento da casa da família e a mobilização de múltiplos meios de buscas.

Adolescente que testemunhou agressões “em choque”

A PJ estará também a investigar melhor as circunstâncias do desaparecimento de Valentina em 2018. Nessa altura, a menina fugiu da casa do pai, tendo sido encontrada algumas horas depois.

Esse desaparecimento motivou a abertura de um inquérito por parte da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Peniche. Mas, em Maio de 2019, foi arquivado porque a CPCJ “entendeu que não havia situação que justificasse a necessidade da aplicação de medida de promoção e protecção”, refere a entidade numa nota ao CM. Depois disso, “não existiu mais nenhuma sinalização”, acrescenta.

O Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Coimbra deverá também investigar os rumores de abuso sexual que Sandro Bernardo referiu terem sido as causas das agressões à filha. Ele alegou que lhe bateu para tentar que ela confessasse esses alegados abusos sexuais de que estaria a ser alvo por parte de um amigo da família materna.

Entretanto, as meias-irmãs de Valentina, uma menina de 4 anos e um bebé de meses, estarão a passar dificuldades na casa dos tios que as acolheram. O CM apurou que “falta roupa e comida”, bem como “fraldas e outros produtos de higiene”. Os tios não terão condições para as manter.

O filho mais velho de Márcia, fruto de uma anterior relação, estará entregue ao pai. O menor de 12 anos que terá dado pistas fundamentais para a PJ desvendar o caso estará “em choque”, como revela ao CM um familiar.

“Ele gostava dela como se fosse irmã de sangue. É um choque muito grande para uma criança. Só espero que ele fique bem da cabecinha“, salienta o familiar do adolescente.

ZAP ZAP //

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5 COMENTÁRIOS

  1. Eu esperava que ele tivesse o tratamento óbvio na prisão, da parte dos outros detidos, não esperava que lhe dessem lâminas que cortassem mal

  2. Esta aberração maldita, apanhando os 25 anos que se espera, sairá da cadeia em 2040, ao fim de 20 anos cumpridos. Nesse ano, a Valentina teria 29 anos se tudo tivesse corrido na normalidade. Seria ainda uma jovem mulher com muito para viver ainda.

  3. Eu neste último sabádo vi e fiquei sabendo quem tinha feito aquela barbaridade com a princesa Valentina da mesma idade da minha filha,que conheci por fotos,com o próprio pai,pois chequei a trabalhar com ele na pintura durante 2 semanas em Antwerp,até cerveja me comprou,depois foi tirar um curso na Holanda para trabalhar com ferro com familiar,e o vi algumas vezes no café do alentejano aqui mesmo,não me pareceu ser violento,estava procurando casa para família pareceu tudo normal como imigrante,como vivi 14 anos em Torres Vedras a conversa fluia,torcedor do leåo me mostrou a foto da Valentina com a camisola,tô passado,e triste por saber que a menina não era feliz,mais que agora está pois voltou para a glória eterna,aonde merece estar no paraíso das princesas.

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