Reviravolta em Espanha. Pablo Iglesias recua e cede lugar no governo

Ahora Madrid / Flickr

Pablo Iglesias, líder do Podemos

O líder do Podemos anunciou esta sexta-feira que desiste de integrar o governo, alegando que não quer ser a desculpa do Partido Socialista Operário Espanhol para que não haja um executivo de coligação de esquerdas

Numa mensagem divulgada nas redes sociais, Pablo Iglésias diz retirar-se porque o PSOE considerava-o o “único obstáculo” a “um governo de coligação de esquerdas que assuma que os direitos sociais têm de ser o centro político da governação”. O líder do Podemos não quer “ser a desculpa” para que tal não aconteça.

Trata-se de uma reviravolta na situação política em Espanha. Depois de um impasse na formação do governo desde as eleições gerais realizadas a 28 de abril, há finalmente uma luz ao fundo do túnel quando faltam três dias para a sessão de investidura de Pedro Sánchez.

“O PSOE disse que a única armadilha que impede a formação deste governo sou eu. E depois de ter refletido durante os últimos dias decidi que não vou ser a desculpa para que o PSOE evite esse executivo de coligação”, declarou Pablo Iglesias, sustentando que o país necessita desta solução governativa – uma coligação de esquerdas – que “salvaguarde os direitos sociais” e que transforme essa questão no seu “eixo” estrutural.

A decisão do líder do Podemos foi tomada nas últimas horas desta sexta-feira, um dia depois de Pedro Sánchez ter reiterado que recusava liminarmente a hipótese de o líder do partido de extrema esquerda integrar o futuro governo espanhol, alegando que o executivo “ficaria paralisado” por “contradições internas.”

Este passo estratégico de Pablo Iglesias visa sobretudo perceber se o líder do PSOE está mesmo interessado em que o Unidos Podemos faça parte do executivo ou se vai colocar novos entraves à formação do governo espanhol.

Segundo o jornal espanhol El Mundo, o PSOE considera que existem elementos do Podemos capazes de integrar o executivo espanhol, com experiência e ética política, como Alberto Rodríguez, Rafael Mayoral, Ione Belarra e Yolanda Díaz.

O Unidos Podemos quer ter uma representatividade proporcional ao número de votos. A confirmar-se, teria 5 ministérios no universo de 17 atualmente existentes. Pedro Sánchez está dependente dos votos do Podemos e de outros partidos regionais para voltar a ser empossado primeiro-ministro, caso contrário poderá ser necessário convocar eleições antecipadas. A sessão de investidura decorrerá na terça-feira ou na quinta-feira se não forem obtidos os votos necessários no primeiro dia.

ZAP //

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4 COMENTÁRIOS

  1. Seria “extrema esquerda” se defendesse a ditadura do proletariado. Não é o caso. São sociais-democratas, como o B.E.

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