Osteoartrite e morte prematura de Dolly não foi culpa da clonagem

The Roslin Institute / The University of Edinburgh

Dolly foi o primeiro mamífero a ser clonado com sucesso a partir de uma célula adulta.

A famosa ovelha Dolly, que morreu em 2003, sofria de osteoartrite prematura. No entanto, um novo estudo, publicado esta quinta-feira, desmente as teorias que indicavam que o processo de clonagem poderia ter sido o causador do envelhecimento prematuro de Dolly.

A ovelha Dolly fez história na biotecnologia em 1996, quando se tornou no primeiro animal a ser clonado a partir de células somáticas adultas. Dolly morreu antes de completar sete anos de idade, uma idade precoce que levou os cientistas a especular sobre a razão da sua morte prematura.

Alguns cientistas pensavam que a morte prematura de Dolly estava relacionada com o facto de ter sido clonada e que isso significava que a sua idade biológica, ou seja, a “idade do seu ADN”, era efetivamente mais antiga do que a sua idade cronológica.

Além disso, foi diagnosticada osteoartrite no joelho esquerdo de Dolly, o que fez com que os cientistas acreditassem que a clonagem seria, de facto, responsável pelo envelhecimento precoce da ovelha.

No entanto, um estudo publicado esta quinta-feira na revista Scientific Reports, vem agora despistar as primeiras supeitas dos cientistas, mostrando que as complicações de saúde de Dolly não eram resultado do processo de clonagem. As articulações desgastadas da ovelha eram, na verdade, bastante normais.

“As preocupações originais de que a clonagem causou osteoartrite precoce foram infundadas”, concluíram os cientistas. Desde o nascimento de Dolly, mais de 20 espécies de animais foram clonados usando a transferência nuclear de células somáticas (SCNT) – o processo de transformar células em novos embriões.

Um conjunto de estudos analisou os animais clonados, mas poucos estudos foram capazes de analisar as implicações da clonagem na saúde dos animais. Na altura, os cientistas não sabiam se os clones sofriam deproporcionalmente de doenças comuns, como a osteoartrite, em comparação com outros animais.

O ano passado, Kevin Sinclair, professor e cientista da Universidade de Nottingham, e a sua equipa, analisaram um grupo de 13 ovelhas clonadas com oito e nove anos de idade, quatro das quais clonadas a partir da linhagem celular(?) da glândula mamária que deu origem à famosa ovelha – eram, portanto, clones da Dolly.

Sinclair e a equipa analisaram radiografias e encontraram apenas evidências leves e moderadas de osteoartrite nas ovelhas estudadas.

Os animais eram perfeitamente saudáveis e nenhum deles apresentava sintomas clínicos da doença. Isto levou a equipa a questionar a natureza e extensão da osteoartrite de Dolly e se a clonagem teria contribuído para o desenvolvimento da doença.

(dr) University of Nottingham

O cientista David Gardner a tirar radiografias aos esqueletos.

Infelizmente, as radiografias que registavam a osteoartrite de Dolly não foram preservadas. No entanto, o esqueleto de Dolly e de outras duas importantes ovelhas clonadas – Megan e Morag, que foram os dois primeiros mamíferos a ser clonados, mas a partir de células estaminais pluripotentes – foram mantidos pelo Museu Nacional da Escócia, o que permitiu aos cientistas realizar radiografias aos esqueletos das três ovelhas.

A análise revelou que a osteoartrite era mais severa nas ovelhas mais velhas. Além disso, a distribuição global da osteoartrite em Dolly foi semelhante à observada em ovelhas clonadas com sete a nove anos.

Segundo o The Conversation, os cientistas também realizaram análises detalhadas de raios-X aos esqueletos da filha de Dolly, a ovelha Bonnie, concebida naturalmente, que viveu durante nove aos e meio.

“Descobrimos que a prevalência e distribuição da osteoartrite foi semelhante à observada em ovelhas naturalmente concebidas“, afirmou a professora da Universidade de Glasgow, Sandra Corr, co-autora do estudo.

“Como resultado, concluímos que a ideia de que a clonagem teria causado a osteoartrite na ovelha Dolly era infundada”, explica a cientista.

Há muitos outros fatores, que surgem naturalmente, capazes de explicar a doença de Dolly. Este estudo, assim como o estudo publicado o ano passado, provam que é possível clonar animais e que os clones podem ser perfeitamente normais e saudáveis usando, por exemplo, células somáticas adultas.

Desde o nascimento de Dolly, houve uma melhoria considerável na eficiência da clonagem pela Transferência Nuclear de Células Somáticas (SCNT). Em vários países, a investigação continua em busca de melhorias adicionais.

Tais melhorias poderiam abrir portas ao uso da SCNT para criar animais geneticamente modificados, resistentes a certas doenças como a gripe suína, o que poderia ajudar a minimizar a necessidade de antibióticos e a reduzir o risco de transmissão para humanos.

ZAP //

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