Uma “oscilação” na órbita da Lua pode causar inundações recorde na década de 2030 nos EUA

NASA Earth Observatory / Joshua Stevens

O mar está de 10 a 15 centímetros acima do normal nas zonas a vermelho

As alterações climáticas já aumentaram a frequência e a gravidade de alguns eventos climáticos extremos. Mas há uma ameaça que poderá ainda causar estragos.

As cheias de maré alta são fenómenos comuns em diversas cidades no litoral dos Estados Unidos. Costumam acontecer em zonas costeiras quando as marés atingem cerca de 0,6 metros acima da média diária de maré alta, inundando ruas e casas.

Recentemente, um novo estudo liderado pela NASA avisa que estas cheias vão tornar-se cada vez mais frequentes no país já nos anos 2030. Segundo a investigação, grande parte da costa dos Estados Unidos vai ter três a quatro vezes mais dias de cheias por ano durante, pelo menos, uma década.

Segundo a Space, no início da década de 2030, o aumento do nível da água do mar, somado ao ciclo da Lua, irá fazer com que estes locais tenham uma década de aumentos na quantidade de inundações. O portal explica ainda que haverá momentos em que acontecerão em “grupo”, podendo durar mais de um mês.

Estas alturas de cheias costeiras prolongadas causarão grandes perturbações na vida e na subsistência se as comunidades não se começarem a prevenir agora.

O estudo mostrou, por exemplo, que as áreas que costumam enfrentar duas ou três inundações por mês podem ter que encarar mais de uma dúzia.

O investigador Phil Thompson alerta que a maior parte do impacto do fenómeno virá, principalmente, do efeito cumulativo das inundações. “Se houver 10 ou 15 por mês, as empresas não vão poder funcionar por ficarem com o estacionamento submerso, e as pessoas perdem os seus empregos porque não conseguem deslocar-se”, explica.

Um pequeno empurrão da Lua

A equipa estudou 89 focos de inundações em cada estado no litoral do país e criou um modelo estatístico para mapear os cenários de aumento do nível da água do mar. Depois, trabalhou com limites para as inundações, o número de vezes que os limites foram excedidos anualmente, ciclos astronómicos e representações de outros processos que afetam as marés.

A investigação permitiu descobrir que, apesar de a subida do nível do mar aumentar a frequência das cheias, estes eventos terão uma pequena ajuda do Cosmos – especificamente, da Lua.

A Lua tem uma “oscilação” na sua órbita, alterando ligeiramente a sua posição em relação à Terra num ciclo rítmico de 18,6 anos.

Durante metade do ciclo, a Lua suprime as marés na Terra, resultando em marés altas mais baixas e marés baixas mais altas. Na outra metade, as marés são amplificadas, com marés altas mais altas e marés baixas mais baixas, explica a NASA.

Acontece que o próximo ciclo de amplificação da maré começa em meados dos anos 2030. Nessa altura, o nível global da água do mar terá subido o suficiente para tornar aquelas marés altas particularmente problemáticas.

O artigo científico, publicado a 21 de junho na Nature Climate Change, conclui que, através do efeito combinado da subida do nível do mar e do ciclo lunar, as cheias de alta intensidade irão aumentar rapidamente em toda a costa dos Estados Unidos.

Liliana Malainho, ZAP //

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