Nova técnica de amputação pode melhorar o controlo de membros protéticos

Os membros protéticos já não são novidade, mas investigadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts descobriram agora um novo tipo de cirurgia de amputação, que pode facilitar o uso dessas próteses.

A maioria dos movimentos, tanto dos braços como das pernas, envolve dois músculos que estão unidos numa das extremidades, conhecidos como pares agonista-antagonista, e, quando um destes músculos alonga, o outro contrai.

Quando uma pessoa dobra o cotovelo, por exemplo, o músculo bíceps contrai e o tríceps alonga. Esse movimento é importante porque transmite informações de feedback sensorial ao cérebro, ajudando-o a entender a posição do braço.

Na maioria dos métodos de amputação convencionais, o local onde esses músculos se une é cortado, impedindo-os de comunicar adequadamente entre si. Como resultado, os sinais musculares enviados ao cérebro tornam-se confusos.

Srinivasan et al.

Esquema dos pares agonista-antagonista

Esta forma de amputação tradicional faz com que a maioria das pessoas que amputaram um membro precise de olhar para o seu membro protético para ver o que este está a fazer e orientar o seu movimento.

No novo procedimento, que se chama Interface Mioneural Agonista-antagonista (AMI, na sigla em inglês), as extremidades que ligam os músculos são cortadas, mas depois voltam a ser unidas. O sistema de comunicação volta, assim, a funcionar, fazendo com que o cérebro perceba onde estaria a secção do membro amputado no espaço tridimensional.

Depois de terem sido realizados testes laboratoriais em ratos, em 2017, aproximadamente 25 pacientes foram submetidos à cirurgia de AMI no Brigham and Women’s Hospital, vinculado à Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

Entretanto, cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês) avaliaram 15 dessas pessoas, cada uma com uma única amputação abaixo do joelho.

Para a avaliação, foi pedido aos pacientes que se deitassem com ambas as pernas apoiadas e sem a prótese colocada. Depois, foi-lhes solicitado que fletissem tanto a articulação do tornozelo intacta, como a do “membro fantasma”, em diferentes ângulos, enquanto elétrodos monitorizavam a atividade elétrica dos músculos de ambas as pernas.

Em comparação com o grupo de controlo, cujas amputações foram feitas através do método convencional, a equipa liderada por Shriya S. Srinivasan descobriu que as pessoas amputadas com o novo método (AMI) mostravam um controlo mais preciso sobre o tornozelo “fantasma”. Isto porque os sinais elétricos da perna amputada tinham uma maior semelhança com os da perna “saudável”, na qual o tornozelo se movimentava de verdade.

Além disso, exames cerebrais mostraram que o cérebro das pessoas amputadas com recurso ao método AMI recebia um maior feedback sensorial.

De acordo com o New Atlas, os cientistas desenvolveram ainda outra versão da cirurgia, conhecida como “AMI regenerativo”, em que podem ser usados segmentos musculares enxertados para reconectar músculos agonista-antagonistas previamente cortados em amputações tradicionais.

O artigo foi recentemente publicado na revista Science Translational Medicine.

Sofia Teixeira Santos, ZAP //

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