Nova estratégia energética da Administração Biden pode salvar 317 mil vidas

Gage Skidmore / Wikimedia

O presidente dos EUA, Joe Biden

Os números têm por base uma estratégia assente na transição da infraestrutura energética norte-americana para fontes limpas, diminuindo, assim, a emissão de gases com efeito de estufa. Os ganhos em termos de vidas humanas podem ser visíveis num horizonte temporal de apenas oito anos, com 9.200 mortes prematuras a serem evitadas até 2030.

Um estudo conduzido por um consórcio de investigadores de instituições como a Universidade de Harvard, o Instituto de Tecnologia da Georgia e a Universidade de Syracuse, revelou que as medidas delineadas pela Administração Biden tendo em vista a implementação de energias mais limpas nos Estados Unidos poderia salvar cerca de 317 mil vidas nos próximos 30 anos.

Num plano mais próximo, 9.200 mortes prematuras podem ser evitadas até 2030, avança o artigo, caso seja mesmo concretizada uma redução nas emissões dos gases com efeito de estufa.

O número de vidas poupadas seria “imediato, generalizado e substancial”, pode ler-se no mesmo documento.

As estimativas apresentadas baseiam-se em indicadores como a redução da emissão de gases com efeito de estufa, com impacto direto na qualidade do ar, da poluição existente e, consequentemente, na luta contra as alterações climáticas.

Esta é uma área onde o presidente democrata tem sido especialmente pressionado a agir após quatro anos da presidência de Donald Trump em que muitos passos atrás foram dados.

Segundo avança o The Guardian, das várias opções de política climática disponíveis para Joe Biden implementar, a melhor será a que tem por base uma “energia limpa” devido aos maiores benefícios económicos para o país, mas também pelos custos e vidas.

O novo relatório sugere ainda que um plano baseado no objetivo de “energia limpa” também seria a ferramenta mais eficaz para atingir a meta estabelecida pela Casa Branca de 80% da utilização de energia renovável até 2030 e a totalidade da eletricidade renovável até 2035.

Os ganhos resultantes da implementação da nova estratégia da Administração Biden também seriam visíveis, por exemplo, nas despesas da saúde, com uma poupança possível na ordem dos 1,12 mil biliões de dólares até 2050.

A população afro-americana seria a que mais beneficiaria com a medida, devido à localização das suas habitações, muitas vezes próximas de auto-estradas ou centrais elétricas.

No que concerne à desigualdade entre Estados, Ohio, Texas, Pensilvânia e Illinois prefilam-se como os principais ganhadores caso a estratégia seja mesmo aprovada.

Por outro lado, uma reconversão rápida das infraestruturas energéticas americanas para uma vertente renovável custaria cerca de 342 mil milhões de dólares até 2050 em custos correspondentes ao investimento e manutenção das infra-estruturas — embora este número signifique uma redução num cenário de comparação entre energias ditas limpas e combustíveis fósseis.

Segundo o relatório, os benefícios resultantes da transição podem estimar-se nos 637 mil milhões de dólares, um negócio claramente vantajoso.

“O custo é muito mais baixo do que esperávamos e as mortes evitadas são muito mais elevadas. Existe realmente aqui uma enorme oportunidade para abordar as alterações climáticas e a qualidade do ar”, disse Kathy Fallon Lambert, coautora do estudo e investigadora da Harvard TH Chan School of Public Health.

Kathy Fallon Lambert

“Este seria um enorme salto no que respeita à ambição e poderíamos ver impactos na saúde. Haveria menos milhões de ataques de asma, por exemplo. E isto nem sequer considera os impactos na saúde causados pelo calor e outras consequências motivadas pelo clima.”

Uma nova estratégia energética da Casa Branca exigiria, por exemplo, que os serviços públicos aumentassem a quantidade de energia limpa, tal como a solar e a eólica, através de uma estratégia que poderia incluir incentivos e penalizações.

Apesar das boas intenções e do parecer positivo emitido pelos cientistas, a nova estratégia energética de Biden foi excluída do Plano de Infraestruturas, negociado em contexto bipartidário, por exigência dos republicanos.

No entanto, Joe Biden enfrenta pressões por parte de ambientalistas e de grandes empresas, como a Apple ou a Google, para que a legislação seja, mesmo assim, implementada.

O presidente americano já anunciou a sua intenção de incluir as medidas num novo projeto-lei de reconciliação partidária, que poderá não cumprir com essas exigências — como tal, para garantir a sua aprovação é necessário o voto de todos os senadores democratas, uma possibilidade tida como remota.

Ainda assim, Gina McCarthy, a principal conselheira de Biden para assuntos relacionados com as alterações climáticas, já fez saber que a inclusão das medidas num novo Plano de Infraestruturas “não é negociável”.

ARM, ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. Que grande panfleto para empurrar a nova mina de ouro das multinacionais camufladas de startup´s

    Existem vários estudos que estão a tentar ser silenciados onde se prova por ex : que a energia solar por é mais mortífera e taxativa para o planeta que energia nuclear.

    Isto são tudo jogos económicos.
    Até como um dos chefes da CNN foi apanhado a confessar “depois da COVID vamos começar a empurrar a agenda do clima”

  2. “Existem vários estudos que estão a tentar ser silenciados onde se prova por ex : que a energia solar por é mais mortífera e taxativa para o planeta que energia nuclear.”

    Concordo consigo, a energia solar é mais mortífera mas só se la chegarmos muito perto.
    De todas as maneiras penso que enquanto mantivermos a terra a 149.5 milhões de km do sol, o problema não será menor do que os efeitos de estufa criados por todos os outros meios usados para gerar energia.

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