Hora Perfeita, Canção Vazia: a cidade dos EUA com nomes de ruas únicos

COURTESY OF COLUMBIA MD ARCHIVES

A Folha que Sussurra vai dar à Escova, depois podemos ir ter ao Colchão Maluco. São designações, no mínimo, estranhas, nos Estados Unidos da América.

A Azinhaga da Bruxa, em Lisboa, e a Rua do Bicalho, no Porto, ficam num patamar abaixo dos nomes que se seguem.

A revista Atlas Obscura salienta os nomes de ruas estranhos – e “estranhos” é uma designação leve – em Columbia, no Estado Maryland, nos Estados Unidos da América.

Este local na zona Leste do país, onde moram pouco mais de 100 mil pessoas, é recente. Foi idealizado há 55 anos por James W. Rouse.

Quem era James W. Rouse? Aqui começa a explicação para os nomes que vamos ler neste artigo.

James era responsável por criações de centros comerciais e tinha ideias “fora da caixa” sobre as comunidades e sobre a importância da qualidade de vida para essas comunidades.

O visionário não estava agradado com o que aconteceu nos EUA depois da II Guerra Mundial: expansão dos subúrbios sem critério, sem cuidado.

Por isso desenvolveu uma cidade modelo, com outro ambiente, com outras instalações e até com outros ares e liberdade.

A construção de Columbia não foi feita apenas por engenheiros e arquitectos – também envolveu educadores, sociólogos e especialistas em transporte, pessoas ligadas à recreação e à religião.

E seria uma cidade artística. Com arte. “A arte do design urbano está nos detalhes“, lia-se no jornal The Washington Post em 1966, um ano antes de a cidade/comunidade estar pronta.

Mais de 1.000 ruas iriam ser adicionadas ao serviço local de correios – que ficou preocupado com a possibilidade de repetição de nomes, que criasse confusão.

Mas, num sítio que não é igual aos outros, os nomes de ruas não seriam iguais aos outros. Os responsáveis decidiram: a arte e a literatura vão inspirar os nomes das ruas.

Foram examinados livros, surgiram ideias. Há versos de livros espalhados pela cidade, nas placas. Mais recentemente foram criadas novas ruas e a solução foi inspirarem-se em grupos musicais que já actuaram na cidade.

E então, vamos imaginar uma viagem por Columbia: começamos pela rua Folha que Sussurra, que depois vai dar à Escova, antes de virarmos para a Hora Perfeita, que fica perto do Colchão Maluco; sigamos agora pela Calma Profunda, cuidado com o Bosque de Satanás e com o Tribunal de Caça ao Guaxinim; finalizemos pela Estrada da Canção Vazia e pela Linha dos Sonhos.

É um mundo diferente. É uma identidade diferente.

  ZAP //

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