Ninguém consegue maioria na Irlanda. Sinn Fein torna-se a segunda força política

Aidan Crawley / EPA

Mary Lou McDonald, líder do Sinn Féin

O partido Sinn Fein, antigo braço político do grupo paramilitar Exército Republicano Irlandês (IRA), tornou-se na segunda força no Parlamento irlandês.

Este resultado, esta segunda-feira revelado após dois dias de contagem de votos, pode representar a queda do primeiro-ministro, Leo Varadkar.

O Sinn Fein tem agora tem 37 assentos em 160 na câmara baixa do Parlamento irlandês (Dail). O centro-direita Fianna Fail ocupa mais um assento (38), enquanto o Fine Gael, partido de centro-direita do primeiro-ministro cessante Leo Varadkar, tem 35.

Embora os centristas tenham mais um assento, o Sinn Fein foi o partido mais votado nas eleições, obtendo 24,5% dos votos. O Fianna Fail conquistou 22,2%, o Fine Gael 20,9%, o Partido Verde 7,1% e o Partido Trabalhista 4,4%.

É necessária uma maioria de pelo menos 80 deputados para uma governação estável, o que torna inevitáveis negociações entre os diferentes partidos políticos.

Para alcançar esta maioria, frisa a Renascença, será necessária uma coligação entre dois dos três maiores partidos, com o apoio de outros movimentos. Durante a campanha eleitoral, os líderes do Fine Gael e do Fianna Fail garantiram aos seus eleitores que não fariam uma coligação governamental com o Sinn Féin.

Em 2016, o Fine Gael foi o partido mais votado, mas sem maioria absoluta, e precisou de um compromisso de apoio do rival Fianna Fáil para formar um governo minoritário, o que só foi alcançado após 70 dias de negociação. “O Sinn Fein venceu a eleição, conquistamos o voto popular”, disse a líder do partido, Mary Lou McDonald.

Sistema eleitoral complexo

No complexo sistema eleitoral irlandês, os eleitores não votam numa lista estabelecida, mas numa lista própria ao escolher candidatos de diferentes partidos por ordem de preferência. McDonald já iniciou contactos com outras formações minoritárias, como verdes ou trabalhistas, e com deputados independentes e de esquerda para tentar formar um governo, já que nenhum partido alcançou a maioria absoluta.

“Esta campanha girou em torno da mudança. As pessoas votaram no Sinn Fein para estar no Governo, para fazer a diferença e manter as promessas“, explicou McDonald em entrevista à televisão estatal RTE. McDonald insistiu que quer um governo progressista e, embora não descarte uma coligação com democratas ou centristas, reiterou que prefere governar sem o apoio do Fine Gael e do Fianna Fail.

No programa eleitoral, o Sinn Fein defende que o Governo irlandês deve promover um processo de discussão e persuasão para organizar “um referendo, no norte e sul, sobre a Unidade Irlandesa”. O Governo britânico tem argumentado que não existem condições para esta consulta pública, que está prevista nos acordos de paz de 1998 para a Irlanda do Norte, e os outros dois principais partidos irlandeses, Fianna Fail e Fine Gael, não consideram a reunificação uma prioridade.

A participação num Governo de coligação na Irlanda do Sinn Fein, que também faz parte do governo da Irlanda do Norte, pode dar um novo impulso ao movimento nacionalista e criar um conflito com o Governo britânico semelhante ao que existe na Escócia, onde o governo regional defende o direito de realizar um referendo para a independência

ZAP // Lusa

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