Nicolas Sarkozy acusado de corrupção ativa

P Donovan / Flickr

Nicolas Sarkozy, ex-presidente francês

O antigo Presidente de França Nicolas Sarkozy foi acusado de corrupção ativa, tráfico de influências e violação do segredo de justiça, informou esta noite a procuradoria francesa.

O anúncio da procuradoria ocorreu depois de na segunda-feira Sarkozy ter sido detido para averiguações, numa medida coerciva aplicada pela primeira vez a um antigo chefe de Estado francês, e de ter passado 15 horas em interrogatório perante a polícia e outras três horas perante os juízes, nos arredores de Paris.

Segundo a procuradoria francesa, Nicolas Sarkozy foi posteriormente presente a um juiz e acusado durante a noite de terça para quarta-feira.

Em caso de condenação, o antigo Presidente de França (2007-2012) enfrenta uma pena de até dez anos de prisão.

O advogado de Sarkozy, Thierry Herzog, e o juiz Gilbert Azibert – detidos um dia antes, juntamente com outro magistrado – foram ambos acusados de tráfico de influências na noite de terça-feira, informaram os seus defensores.

Nicolas Sarkozy, 59 anos, tem enfrentado várias batalhas legais desde que foi derrotado por François Hollande nas eleições presidenciais de 2012.

O antigo Presidente francês nega ter cometido qualquer irregularidade e os seus aliados à direita denunciam o caso como uma caça às bruxas contra o seu homem.

Os juízes de instrução procuram esclarecer se o antigo chefe de Estado francês tentou obter informações, sob segredo de justiça, junto de Azibert, sobre uma decisão judiciária relativa a Sarkozy, em troca da promessa de um cargo de prestígio no Mónaco.

Outra suspeita que pesa sobre Sarkozy é a de ter sido informado ilicitamente, pelos procuradores, de que fora colocado sob escuta no caso relativo a um financiamento recebido do antigo líder líbio Muammar Kadhafi (50 milhões de euros ou 70 milhões de dólares, à época) para a sua campanha eleitoral vitoriosa de 2007.

No chamado “caso das escutas”, investiga-se ainda se o político conservador recebeu financiamento ilegal para a campanha presidencial da multimilionária herdeira do grupo de cosméticos L’Oréal, Liliane Bettencourt.

A investigação estava relacionada, na origem, com as investigações abertas em abril de 2013 para determinar se parte da campanha eleitoral de 2007 foi financiada pelo regime líbio.

O caso foi lançado depois de os juízes que analisaram o alegado financiamento da campanha eleitoral de Sarkozy em 2007 pelo líder líbio deposto Muammar Kadhafi terem obtido uma inédita e controversa autorização para colocar sob escuta os telefones do Presidente.

Depois de quatro meses infrutíferos, os investigadores descobriram que Sarkozy tinha um telefone secreto registado sob outro nome e as gravações desse aparelho levaram à abertura de uma investigação por tráfico de influência.

O seu tesoureiro de campanha é uma de dez pessoas que aguardam julgamento no caso Bettencourt.

A investigação sobre a ligação a Kadhafi está em curso, assim como outros casos nos quais Sarkozy foi implicado.

No mês passado, o nome de Sarkozy surgiu associado a um escândalo sobre o financiamento da sua campanha para a reeleição em 2012.

O líder da UMP foi forçado a resignar, depois de ter sido divulgado que 10 milhões de euros gastos no apoio a Sarkozy foram declarados como despesas do partido.

Sarkozy nega ter tido conhecimento ou envolvimento na aparente fraude, que está atualmente sob investigação criminal.

/Lusa

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