“Não terei uma vida mais sossegada no dia em que deixe de haver pessoas infetadas”

Miguel A. Lopes / Lusa

O primeiro-ministro, António Costa

Numa entrevista ao Público, o primeiro-ministro realça que os estragos económicos da pandemia não o irão deixar descansar mesmo quando já não existirem casos.

António Costa disse não antever para si mesmo “uma vida mais sossegada”, mesmo quando Portugal não registar mais casos de infeção por SARS-CoV-2.

“No dia em que deixarmos de ter qualquer infetado, continuaremos a ter 400 mil desempregados, muitas empresas que, entretanto, faliram ou que têm muita dificuldade em cumprir o esforço remuneratório”, explicou o líder do Executivo ao Público.

O socialista recorda que “a crise está para durar e, portanto, vamos ter ainda muito tempo para tirar novas lições e, sobretudo, para ter a distância suficiente para que as lições possam ser tiradas de uma forma válida”.

No entanto, mostra-se otimista em relação ao futuro. “Se me pergunta se, daqui a cinco anos, estaremos ao nível da Alemanha, respondo-lhe que não”, começou por dizer. Contudo, ”o que lhe posso dizer é que, daqui a cinco anos, estaremos mais próximos da Alemanha do que estávamos há cinco anos”.

Questionado sobre se prevê um consenso à esquerda nos próximos anos, Costa argumentou que não acredita que hajam dificuldades nesse campo.

Para o primeiro-ministro, se “foi sempre possível encontrar as condições adequadas à governação” durante o último ano, então essas condições não devem piorar num futuro próximo. “Não tenho nenhuma razão para antever que as coisas se alterem”, destaca.

Ainda no campo político, e relativamente à ascensão do Chega, diz que “é preciso evitar o erro de querer bipolarizar a vida política nacional entre ele e os outros, porque isso só tem um efeito: valorizar o André Ventura e dar-lhe uma credibilidade que ele não tem”.

Porém, Costa aponta críticas a outros campos políticos quando, afirmando que a crise pandémica foi “o maior atestado de falhanço das visões neoliberais”, argumentando que ela demonstrou quão essenciais são serviços como a escola pública, o serviço nacional de saúde (SNS) e as ferramentas de proteção social. “Todos os instrumentos do Estado Social revelaram-se absolutamente cruciais”, reitera.

Ainda assim, o primeiro-ministro conseguiu assinalar três fragilidades atuais de Portugal. A pandemia de covid-19 expôs a necessidade de reforço do SNS, a precariedade do mercado de trabalho e o desordenamento territorial, sobretudo na Área Metropolitana de Lisboa e na área do Tâmega e Sousa.

Num lado mais positivo, realça como pontos fortes “o enorme sentido cívico que os portugueses têm demonstrado perante esta adversidade e a forma como coletivamente e de uma forma solidária responderam a esta crise”, a “capacidade de adaptação, em particular do nosso tecido económico industrial” e, por fim, atribui os louros ao SNS, defendendo que “revelou uma enorme força”.

Ana Isabel Moura, ZAP //

 

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