Jogos Olímpicos: “Não temos naturalizados, não somos o Qatar”

DANIEL LEAL-OLIVAS / AFP

Portugal-Bahrein, nos Jogos Olímpicos 2020 (andebol)

Selecionador da seleção de andebol do Bahrein, que afastou Portugal dos quartos-de-final, lembra que muitos dos jogadores apurados são amadores.

Portugal com dois pontos, Bahrein com dois pontos, Japão com dois pontos. Na diferença entre golos marcados e sofridos, Portugal foi a melhor entre estas três seleções nacionais de andebol e até ganhou ao Bahrein. Então porque esteve o Bahrein nos quartos-de-final dos Jogos Olímpicos e Portugal não?

Quem se cruza com a classificação do Grupo B do torneio masculino de andebol de Tóquio 2020, sem conhecer o contexto, pode fazer esta pergunta. A resposta está no confronto direto.

Portugal ganhou ao Bahrein, o Bahrein ganhou ao Japão e o Japão ganhou a Portugal. A diferença no resultado final foi sempre de um golo nestes jogos…exceto no Bahrein-Japão: o Bahrein venceu por 32-30 e, por isso, ficou com um golo positivo no confronto entre as três; Portugal ficou com o mesmo número de golos marcados e sofridos, enquanto o Japão registou um golo negativo neste confronto direto.

O Bahrein continuou em Tóquio durante mais alguns dias. A segunda surpresa em pouco tempo, já que no apuramento para os Jogos Olímpicos a seleção asiática afastou o favorito Qatar, nas meias-finais. Foi à final do torneio e derrotou a Coreia do Sul (e tinha perdido com os coreanos na fase de grupos do mesmo torneio). Assim, o conjunto proveniente de um país com 1,5 milhões de habitantes apurou-se para os Jogos Olímpicos.

E, ao contrário do rival asiático Qatar – que passou a ter uma seleção repleta de europeus naturalizados, desde que organizou o polémico Mundial 2015 da modalidade – o Bahrein só tem jogadores que nasceram no Bahrein e nenhum joga na Europa: “Todos nasceram lá e a maioria é amadora. Temos um jogador que joga na Arábia Saudita e outro nos Emirados Árabes Unidos”, reforçou o seu selecionador, o islandês Aron Kristjánsson, citado pelo jornal L’Équipe.

Mudaram de treinador três vezes nos últimos dois anos. E o estilo de jogo do Bahrein não é propriamente o que mais se vê no andebol europeu: jogadores mais baixos do que o habitual, um sistema defensivo raro de 3-3 e posses de bola quase sempre a encostar no jogo passivo. “Procuram sempre os duelos, é um estilo que causa muitas dificuldades”, chegou a dizer Paulo Jorge Pereira, selecionador português.

O cenário mais provável confirmou-se: o Bahrein foi afastado do torneio olímpico nos quartos-de-final porque perdeu com a poderosa França, vencedora do Grupo A, por esclarecedores 42-28. “Mas o que fizemos já é algo enorme. Para nós, chegarmos aos quartos-de-final é como, para a França, ser campeã olímpica”, comentou Kristjánsson.

  Nuno Teixeira, ZAP //

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