Municípios admitem cortes de água à noite. Já quase não há água no solo transmontano

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Face à seca que assola o país, vários municípios admitem fazer cortes no abastecimento de água à noite. Já quase não há água no solo transmontano.

As autarquias de Manteigas, Mangualde, São Pedro do Sul, Tabuaço e Vale de Cambra admitem reduções ou mesmo cortes parciais de água durante a noite, caso a situação de escassez não melhore.

A continuar assim, as populações destes municípios podem ficar sem água em setembro, de acordo com o Jornal de Notícias. O matutino escreve ainda que pelo menos 23 municípios têm recorrido ao abastecimento de dezenas de localidades com camiões-cisterna e cinco admitem fazer cortes.

Entretanto, várias autarquias vão apostando em campanhas de sensibilização para a redução do consumo de água.

A situação de seca em Portugal vive-se no país inteiro, com 51% em seca severa e 49% em seca extrema. No entanto, há zonas que estão a sofrer mais com o problema. No Nordeste Transmontano, “o teor de água no solo já é menos de 1%”, avisa o vice-presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, Pimenta Machado, citado pelo JN.

Vinhais, Macedo de Cavaleiros, Mogadouro e Alfândega da Fé, por exemplo, recorrem a camiões-cisterna para o abastecimento de água. Na região transmontana, cerca de oito mil pessoas de 50 localidades estão a ser abastecidas desta forma neste verão.

Pimenta Machado diz que é preciso também pensar nas albufeiras mais vulneráveis, como as de Fontelonga (Carrazeda de Ansiães), Vila-Chã (Alijó) e Sambade (Alfândega da Fé).

A albufeira de Carrazeda vai ser reforçada a partir do Tua, através de transporte rodoviário. O município assinou, esta quinta-feira, um protocolo com o secretário de Estado da Conservação da Natureza e Florestas, que vai assumir parte do pagamento da operação, além de ajudar na reativação e recuperação de velhas nascentes.

Alijó, Bragança, Mogadouro, Vimioso, Macedo de Cavaleiros e Alfândega também vão receber esta ajuda.

Vários municípios admitem a proibição do consumo de água da rede pública para a rega de jardins e hortas, enchimento de piscinas e tanques, a lavagem de passeios, pátios e espaços públicos ou a rega de jardins e hortas.

Vimioso admite impor multas pesadas para quem viole as regras: entre 1.500 e 3.740 euros para pessoas singulares; e 7.500 e 44.890 euros para pessoas coletivas.

Em declarações à Lusa, o presidente da Câmara de São João da Pesqueira admitiu mesmo que, se não chover, em meados de setembro não haverá água para consumo humano na Barragem de Ranhados, que abastece mais dois municípios.

“A situação é preocupante porque, mesmo com o esforço todo que estamos a fazer, prevê-se que em setembro, se não chover, não teremos água nas torneiras, portanto é uma situação grave”, disse Manuel Cordeiro.

São João da Pesqueira pratica um agravamento severo do tarifário para os escalões mais altos no período de maio a outubro.

  Daniel Costa, ZAP //

1 Comment

  1. Mas o Costa pagou para não se construírem barragens… e o Guterres preferiu as pedras do que garantir água para o povo!

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