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Movimento Ibérico evoca acidente nuclear de Chernobil para fazer “refletir seriamente” sobre Almaraz

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Foro Nuclear / Flickr

Central Nuclear de Almaraz, em Cáceres

O Movimento Ibérico Antinuclear (MIA) defendeu hoje que o acidente nuclear de Chernobil, ocorrido há precisamente 35 anos, deveria fazer “refletir seriamente” sobre a central nuclear de Almaraz, localizada perto da fronteira com Portugal.

“A central de Almaraz [Espanha] continua a revelar-se como um potencial perigo, em especial, para toda a região transfronteiriça dado que já ultrapassou o seu período normal de funcionamento e, não obstante, viu prolongado em 10 anos o seu período de atividade, até 2020, e agora, o Governo Espanhol pretende estender este período por ainda mais oito anos”, refere, em comunicado, o MIA.

No dia 26 de abril de 1986, cerca das 02:30, o reator nº4 da central nuclear ucraniana de Chernobil, e o edifício onde estava instalado, foram devastados por uma sucessão de explosões.

Não há um registo oficial do número de mortos no acidente, mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que foram cerca de nove mil, além de terem sido expostas milhões de pessoas a poluentes radioativos.

Os ambientalistas ibéricos sublinham que apesar de o acidente de Chernobil ter ocorrido em território ucraniano, o país mais afetado foi a Bielorrússia, onde “quase um quarto (23%) do seu território, com parte substancial das suas florestas e lezírias, estão situados na zona contaminada”.

“O triste dia, que hoje se assinala, deveria fazer-nos refletir seriamente sobre a central nuclear de Almaraz, localizada a cerca de 100 quilómetros da fronteira com Portugal e junto ao rio Tejo, uma vez que esta situação apresenta inquietantes semelhanças com a ocorrida na Bielorrússia”, lê-se na nota.

O MIA refere que apesar de todos os incidentes que se têm registado na central espanhola de Almaraz que já ultrapassou os 40 anos de idade, “o consórcio de empresas que a explora pretende, com a conivência do Governo espanhol, prolongar ainda mais o seu período de funcionamento, até 2030, pelo menos”.

“É uma temível bomba-relógio que nos ameaça e que, tranquilamente, continuamos a ignorar”, sustentam.

A central de Almaraz está situada junto ao rio Tejo e faz fronteira com os distritos portugueses de Castelo Branco e Portalegre, sendo Vila Velha de Ródão a primeira povoação portuguesa banhada pelo Tejo depois de o rio entrar em Portugal.

Em operação desde 1981 (operação comercial desde 1983), a central está implantada numa zona de risco sísmico e apenas a 110 quilómetros em linha reta da fronteira portuguesa.

O governo espanhol renovou a licença de exploração para os Grupos I e II da central de Almaraz, em julho de 2020, prorrogando-a até 01 de novembro de 2027, e 31 de outubro de 2028, respetivamente.

Os proprietários da central de Almaraz são a Iberdrola (53%), a Endesa (36%) e a Naturgy (11%).

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  // Lusa

1 Comment

  1. Parece-me que as pessoas que vivem nas zonas transfronteiriças têm todo o direito a reclamar, e não só eles, todos nós! . Os governos portugueses têm sido mais que inoperantes a resolverem este problema. Admite-se que os espanhóis, com um território tão vasto, tenham construído a central a 100 Km da fronteira? Logo aí se viu que eles quiseram empurrar o problema para o nosso lado e, agora, claro que não estão nada preocupados com as consequências!!

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