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Não é apenas um jogo. O Minecraft está a ajudar crianças com autismo a fazer novos amigos

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Um mundo virtual pode mesmo influenciar de forma positiva o mundo real. A comunidade Autcraft está a ajudar crianças com autismo a fazerem novos amigos. Stuart Duncan é o pai da ideia, que nasceu em 2013.

Stuart Duncan, um programador web que vive em Timmins, no Canadá, criou um servidor para administrar uma versão do Minecraft exclusivamente para crianças com autismo e suas famílias. Atualmente, a comunidade conta com quase 7.000 membros.

O servidor chamou a atenção de Kate Ringland, da Universidade da Califórnia. Segundo o New Scientist, a investigadora passou 60 horas dentro deste mundo virtual a observar como é que as crianças brincam e conversam umas com as outras.

O Autcraft não se cinge a ser uma mera comunidade online: é também uma poderosa ferramenta que ajuda as crianças autistas a praticarem competências sociais. O trabalho da investigadora defende isso mesmo e será apresentado, em outubro, na conferência Human Factors in Computing em San Jose, Califórnia.

“É uma ótima forma de jogar um jogo de que gostam, mas também de ter uma experiência social”, considera Ringland. “É uma forma alternativa de estas crianças se expressarem e comunicarem sem o stress das coisas da vida física.”

As situações sociais diárias podem ser um verdadeiro desafio para as crianças autistas, que podem ter dificuldades em compreender a perspetiva de outra pessoa. O videojogo Minecraft elimina as pressões típicas do mundo real: não há nenhum ambiente ruidoso ou desconhecido, nenhuma pressão para seguir as expressões faciais de outra pessoa ou para se preocupar com o contacto visual.

“As interações sociais, as relações, a comunicação – tudo se resume às crianças e ao seu teclado”, detalha Duncan.

Ringland observou alguns jogadores a vaguear pela paisagem e a construir as suas próprias estruturas em Autcraft. Chegou à conclusão de que é muito mais do que um jogo: viu pessoas a construir amizades e a divertirem-se juntas e crianças a expressar os seus sentimentos – alegria por um bom momento no jogo, e ansiedade ou tristeza por problemas no mundo real.

Elizabeth Laugeson, diretora da Clínica PEERS na Universidade da Califórnia, ensina jovens adultos com autismo a construir relações. Sobre o Autcraft, defende que aderir a esta comunidade pode ser um bom primeiro passo para as crianças se sentirem menos ansiosas socialmente.

Ainda assim, avisa, não deve ser o único meio de aprendizagem destas competências.

  Liliana Malainho, ZAP //

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