Militares do Sudão do Sul autorizados a violar mulheres como forma de pagamento

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United Nations Photo / Flickr

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Denúncia feita pela ONU relata que os militares das forças governamentais do Sudão do Sul foram autorizados a violar mulheres como forma de pagamento.

Os militares que combatem pelas forças governamentais do Sudão do Sul foram autorizados a “violar mulheres como forma de pagamento”, denunciou esta sexta-feira a ONU.

“Trata-se de uma situação de direitos humanos entre as mais horríveis no mundo, com a utilização de violações em massa como instrumento de terror e como arma de guerra”, declarou o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad al-Hussein.

“A escala e o tipo de violência sexual – praticada principalmente pelas forças governamentais (Exército de Libertação do Povo do Sudão) e milícias afiliadas – são descritos com detalhes terríveis e devastadores”, acrescentou.

No seu relatório, a ONU referiu que “de acordo com fontes confiáveis, os grupos aliados do Governo estão autorizados a violar as mulheres como forma de pagamento”, sob o princípio “faça o que puder e leve o que quiser”.

O Sudão do Sul, que obteve a sua independência do Sudão em julho de 2011, depois de décadas de conflito, está a viver uma guerra civil desde dezembro de 2013, quando o Presidente Salva Kiir acusou o seu antigo vice-presidente, Riek Machar, de preparar um golpe de Estado.

Mais de 2,3 milhões de pessoas foram expulsas de suas casas, dezenas de milhares mortas pela guerra e os dois lados envolvidos no conflito são acusados de atrocidades.

O relatório contém testemunhos sobre civis que eram suspeitos de apoiar a oposição, incluindo crianças e pessoas com deficiência, que foram assassinados, queimados vivos, sufocados em contentores, mortos a tiro, pendurados nas árvores ou cortados em pedaços.

“Dada a amplitude, profundidade e gravidade das alegações, consistência, repetição e semelhanças observadas no procedimento, o relatório concluiu que há motivos razoáveis para crer que as violações podem constituir crimes de guerra e crimes contra a humanidade“, disse o alto comissário das Nações Unidas.

De acordo com as Nações Unidas, a maioria das mortes de civis não parecem resultar de operações de combate mas sim de ataques deliberados.

“Cada vez que uma área do país muda de mãos, as pessoas responsáveis matam ou provocam o deslocamento do maior número possível de civis, com base na sua etnia”, diz a organização.

ZAP / ABr

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3 Comments

  1. Num Mundo virado quase exclusivamente para o “deus dinheiro” e em que os princípios da solidariedade, do respeito e da dignidade humana são varridos para baixo do tapete em nome de mega lucros, offshores, hedge Funds etc, não é de espantar que casos destes aconteçam cada vêz com mais frequência.
    Um sinal dos tempos em que, infelizmente, vivemos.

  2. Voltámos à Antiguidade.
    Nesse tempo em que o pagamento era em espécie a forma de apagamento dos exércitos era feita assim:
    – a soldadesca e os seus chefes inferiores, quando venciam uma batalha ou uma guerra eram autorizados a saquear e a violar, era o seu pagamento.
    – os chefes de patentes superiores, eram-lhes trazidas as vítimas para serem “mimadas” em ambiente mais recatado…. Não era um pagamento, era uma benesse.
    – aos generais, para além dos “mimos” de ocasião, a Coroa ou o Estado, ou a Entidade correspondente cedia-lhes terras e honras pelos serviços prestados.
    Tudo isto evolui, mantendo a regra, maquilhando as aparências.
    Mas em pleno século XXI, com tantas regras e campanhas, ouvir, ver ou ler notícias destas faz-nos pensar.
    E eu penso alto, o mundo de hoje, as sociedades de hoje, os políticos de hoje, estão mesmo interessados em mudar este estado de coisas? Ou cinicamente os países ricos, gritam e barafustam em nome dos direitos humanos e, depois, pela calada da noite atiçam e estimulam a violência e o pior que existe no ser humano?

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