Michael Bloomberg está oficialmente na corrida à Casa Branca

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Michael Bloomberg, ex-presidente da Câmara Municipal de Nova Iorque

O bilionário e ex-presidente da Câmara de Nova Iorque Michael Bloomberg anunciou este domingo oficialmente a sua candidatura às primárias do Partido Democrata, com o objetivo de derrotar o republicano Donald Trump, nas presidenciais de 2020.

“Concorro à presidência para derrotar Donald Trump e para reconstruir a América. Não podemos permitir mais quatro anos de ações imprudentes e antiéticas do Presidente Trump”, disse Bloomberg, num comunicado da sua equipa de campanha.

Bloomberg já tinha descartado, no ano passado, uma corrida presidencial em 2020, mas depois de consultas com figuras proeminentes do Partido Democrata reconsiderou e apresentou, na quinta-feira, os documentos necessários para se candidatar às eleições primárias.

Bloomberg, de 77 anos, sublinha a preocupação em anular a possibilidade de uma reeleição de Trump como explicação para a sua candidatura, no momento em que as eleições primárias no Partido Democrata entram numa fase crucial, com a aproximação dos primeiros embates, em fevereiro, nos estados do Iowa, New Hampshire, Nevada e Carolina do Sul. “Se ele (Trump) conseguir outro mandato, nunca poderemos recuperar dos danos. Os sinais não poderiam ser mais visíveis”.

Temos de vencer estas eleições. E devemos começar a reconstruir a América. Acredito que com a minha experiência em negócios, governo e filantropia conseguirei ganhar”, disse Bloomberg, referindo-se à sua carreira no mundo dos media e das finanças.

Segundo os assessores, a decisão de Bloomberg prende-se com a falta de confiança nos 17 candidatos que concorrem nas primárias do Partido Democrata, mencionando a falta de firmeza do ex-vice-Presidente Joe Biden, as ideias demasiado radicais de Bernie Sanders e as incertezas que rodeiam a senadora Elizabeth Warren – os três candidatos democratas mais bem posicionados para as eleições presidenciais de 2020, segundo as mais recentes sondagens.

A declaração de candidatura enfatiza que Bloomberg não aceitará donativos, que ele financiará pessoalmente a sua campanha, tal como fez nas três vezes em que venceu as eleições para mayor de Nova Iorque, tirando proveito da sua riqueza avaliada em mais de 50 mil milhões de euros.

Bloomberg – que chegou a pertencer ao Partido Republicano, tornou-se independente e, em 2018, inscreveu-se no Partido Democrata – admitiu uma candidatura presidencial em 2016, mas recuou para apoiar Hillary Clinton na corrida que acabaria por perder contra Donald Trump.

No ano passado, o empresário voltou a admitir uma candidatura presidencial em 2020, mas estancou a sua decisão, após uma análise de estudos de mercados que revelava uma forte posição do ex-vice-Presidente de Barack Obama, Joe Biden.

Dentro do Partido Democrata, os apoios têm surgido de vários setores, incluindo os que estiveram ao lado de Hillary Clinton, em 2016. Os analistas consideram que uma candidatura de Michael Bloomberg nesta altura significará um risco acrescido para as ambições de Joe Biden, pela proximidade de campos ideológicos e programáticos entre os dois.

Bloomberg, que fez fortuna nos media e que tem fortes ligações a Wall Street, pode, por outro lado, energizar os apoiantes de Elizabeth Warren e de Bernie Sanders, que mostram muitos pontos de divergência com o bilionário, nomeadamente na área de política económica. “Ele é literalmente um bilionário, que participará na corrida para impedir que os progressistas vençam”, explica Rebecca Katz, estratega democrata de Nova York.

Agência Bloomberg irá acompanhar corrida

A Bloomberg fará a cobertura noticiosa da candidatura à Casa Branca do seu patrão, Michael Bloomberg, mas suspenderá os seus editoriais não assinados, que refletem as opiniões do milionário norte-americano, anunciou também no domingo a agência de notícias.

“Iremos escrever sobre quase todos os aspetos destas presidenciais na mesma forma como o fizemos até agora”, indicou o chefe de redação da Bloomberg, John Micklethwait, numa nota à redação divulgada pela agência.

“Nenhum outro candidato às presidenciais possuiu alguma vez um órgão de imprensa deste tamanho”, acrescentou o jornalista, reconhecendo que “não será fácil para a redação” cobrir a corrida à investidura democrata de Michael Bloomberg.

“Descreveremos quem ganhar e quem perder. Examinaremos os programas políticos e as suas consequências, publicaremos sondagens, entrevistaremos candidatos e acompanharemos as suas campanhas, incluindo a de Mike”, acrescentou. “Nos artigos que escrevermos sobre esta eleição diremos claramente que o nosso proprietário é candidato”.

Os autores dos editoriais não assinados da agência vão fazer uma pausa e “juntar-se à equipa de campanha de Mike”, precisou ainda o chefe de redação.

A agência continuará a abster-se de investigar Michael Bloomberg, a sua família e fundação e aplicará a mesma política aos outros candidatos democratas porque “não pode dar aos adversários democratas de Mike um tratamento diferente do seu”, segundo a mesma fonte. Não obstante, a agência compromete-se a publicar qualquer eventual investigação que venha a ser divulgada por órgãos de comunicação social credíveis.

O jornalismo de investigação sobre o Presidente Donald Trump e a sua administração manter-se-á “por agora”. Se Michael Bloomberg ganhar a investidura democrata, a agência analisará “depois” o que fará.

ZAP // Lusa

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