Macron arrisca perder maioria. Mélenchon reclama vitória nas legislativas

Cristophe Petit Tesson / EPA

Jean-Luc Mélenchon

O líder da coligação de esquerda NUPES, Jean-Luc Mélenchon, reclama vitória na primeira volta das eleições legislativas, considerando que o partido presidencial foi “desfeito” e apelando à mobilização na segunda volta para construir um “futuro de harmonia”.

“No fim desta primeira volta, a NUPES está à frente: estará presente em mais de 500 círculos eleitorais na segunda volta”, declarou Jean-Luc Mélenchon, no espaço “La Fabrique Événementielle”, onde decorre a noite eleitoral da Nupes, no norte de Paris, reagindo às primeiras projeções dos resultados eleitorais.

O líder da coligação que junta várias forças de esquerda — designadamente a França Insubmissa, o Partido Socialista francês, o Partido Comunista francês e a Europa Ecologia Os Verdes — considerou que, nesta primeira volta, o partido presidencial “foi derrotado e desfeito”.

“Pela primeira vez na Quinta República, um Presidente recentemente eleito não consegue ter uma maioria absoluta na eleição legislativa que lhe sucede”, frisou.

Mélenchon apelou assim que o povo se mobilize para a segunda volta das eleições legislativas, afirmando que o resultado da primeira volta cria uma “oportunidade extraordinária” para o “destino comum da pátria”.

“Mobilizem-se para escancarar as portas do futuro, um futuro para o qual se mobilizaram tantas gerações antes da nossa. Esse futuro é um futuro de harmonia entre seres humanos, livres das dominações sociais, culturais e de género. É um futuro de harmonia entre os seres humanos e a natureza”, sublinhou.

As primeiras estimativas da primeira volta das eleições legislativas em França dão a coligação de esquerda liderada por Jean-Luc Melénchon e o partido de Emmanuel Macron com cerca de 25% dos votos, com muitos duelos na segunda volta.

Entre as estimativas feitas com os primeiros resultados saídos das mesas de voto, os gabinetes de estudos apontam para uma igualdade na primeira volta das eleições legislativas, com cerca de 25% de votos, uma perda para o partido de Emmanuel Macron.

A União Nacional de Marine Le Pen poderá ser a terceira força política podendo chegar aos 20%.

De forma a vencer na primeira volta, o vencedor tem de reunir 50% dos votos que representem pelo menos 25% dos eleitores inscritos. Quando isto não acontece, passam à segunda volta, que se realiza no dia 19 de junho, todos os candidatos que tenham obtido votos equivalentes a mais de 12,5% dos inscritos ou os dois candidatos mais votados.

Assim, os resultados desta noite não vão definir completamente a configuração da Assembleia Nacional nos próximos cinco anos, já que tudo se joga na segunda volta das eleições legislativas, em 19 de junho.

A NUPES é uma coligação eleitoral liderada por Jean-Luc Mélenchon que junta vários partidos de esquerda, partilhando um programa comum e ultrapassando rivalidades históricas entre partidos de esquerda radical, como a França Insubmissa, e partidos sociais-democratas pró-europeus, como o Partido Socialista francês.

O acordo atual partiu da iniciativa da França Insubmissa, liderada por Jean-Luc Mélenchon que, na primeira volta das eleições presidenciais, em 11 de abril, obteve 21,95% dos votos, tornando-o no líder incontestado da esquerda em França.

Primeira-ministra garante não cede nada aos extremos

A primeira-ministra francesa, Elisabeth Borne, disse hoje que o partido de Emmanuel Macron pode ter uma maioria no dia 19 de junho e que é o único com um projeto coerente face aos extremos.

“Face às dificuldades que enfrentamos e à guerra, não podemos correr o risco de instabilidade, face aos extremos só nós temos um projeto coerente, claro e responsável. […] Face aos extremos não cederemos nada, nem de um lado nem do outro”, disse Elisabeth Borne numa mensagem ao país, na sede de campanha da coligação Ensemble! do presidente no 8º bairro de Paris.

“Daqui a uma semana, para além das etiquetas, são os nossos valores que estão em jogo: a liberdade, a igualdade, a fraternidade e a laicidade. Esta primeira volta mostra que este é um combate atual e que não podemos deixar de defender estes valores”, defendeu a primeira-ministra que passou o fim de tarde com o Presidente no Palácio do Eliseu.

Para Borne, o partido de Macron representa “a defesa da soberania francesa sem rutura com a Europa” e combate ao “fascínio pelos regimes autoritários”, indicando que estas são propostas e comportamentos dos candidatos da extrema-esquerda.

No seu círculo eleitoral, no departamento de Calvados, na Normandia, Elisabeth Borne foi a candidata que reuniu mais votos, passando agora à segunda volta. Tal como ela, a maior parte dos 15 ministros parece até agora ter-se qualificado para a segunda volta, com muitos duelos entre membros do Governo e a Nupes, mas também alguns duelos entre candidatos da maioria e da extrema-direita.

Zemmour: “Temos de continuar a lutar”

O candidato da extrema-direita Eric Zemmour, que foi eliminado na primeira volta das eleições legislativas francesas, este domingo disputadas, defendeu que os franceses têm de continuar a lutar contra o “esquerdismo” de Mélenchon e Macron.

“Em nome de todo o nosso movimento, quero dizer aos franceses que temos de continuar a lutar; lutar pelos nossos filhos, lutar contra o islamo-esquerdismo de Mélenchon e contra a esquerda tecnocrática e carreirista de Macron”, disse o candidato derrotado nas legislativas e que, por isso, não vai disputar a segunda volta.

“Mélenchon e Macron são apenas duas faces da mesma moeda, já que Macron quer desconstruir a identidade francesa, e Mélenchon quer destruí-la; Macron leva o seu tempo, Mélenchon está com pressa”, acrescentou o candidato que já tinha sido derrotado nas últimas presidenciais.

“A nossa vida política hoje é, portanto, cinquenta tons de esquerdismo; numa paisagem política que se deslocou inteiramente para a esquerda, Reconquista! será o único partido de direita”, apontou o candidato derrotado.

Éric Zemmour, dirigente da extrema-direita francesa que falhou a eleição presidencial, enfrentou na circunscrição a que concorre nas legislativas uma defensora dos animais em França e também em Portugal, país a que se ligou por casamento.

  ZAP // Lusa

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