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Pensamentos suicidas e a cor da pele do filho. Revelações de Meghan e Harry abalam família real britânica

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Neil Munns / EPA

O príncipe Harry, de Inglaterra, e a atriz norte-americana Meghan Markle

A aguardada entrevista do duque e da duquesa de Sussex, conduzida por Oprah Winfrey, foi transmitida este domingo e pôs a família real em xeque. O casal, que deu a primeira entrevista desde que renunciou aos deveres reais, falou sobre pensamentos suicidas, a cor de pele do filho e do sentimento de “deceção”.

Na entrevista, a duquesa de Sussex revelou ter sido “quase impossível de sobreviver” na família real britânica e que teve pensamentos suicidas. No entanto, e apesar dos repetidos pedidos, não recebeu qualquer apoio psicológico.

“Eu simplesmente já não queria viver mais. E esses foram pensamentos constantes, aterradores, reais e muito claros”, disse Meghan Markle à apresentadora de televisão Oprah Winfrey durante uma entrevista à CBS, culpando a cobertura agressiva dos media britânicos pelo seu estado psicológico.

A norte-americana salientou que se dirigiu aos membros da instituição real para pedir ajuda e discutiu a possibilidade de tratamento médico: “Foi-me dito que não podia, que não seria bom para a instituição“.

“Quão escura” seria a pele de Archie

A antiga atriz, que é mestiça, também destacou que os membros da família real tinham demonstrado preocupação sobre quão escura podia ser a cor da pele do filho Archie quando nascesse.

A duquesa de Sussex disse que, nos meses que antecederam o nascimento do seu filho, o Palácio de Buckingham se recusou a conceder proteção à criança e que os membros da instituição consideraram que Archie não devia receber um título de nobreza, embora seja essa a tradição.

De acordo com o jornal britânico Independent, Meghan, de 39 anos, denunciou uma “verdadeira campanha de difamação” por parte da instituição real, mas não quis revelar quem fez esses comentários porque “isso seria muito prejudicial para eles”.

Já o duque de Sussex, Harry, lamentou que a família real não tivesse tomado uma posição pública contra o que ele via como cobertura racista por parte de alguma imprensa britânica.

Harry está desapontado com o pai

Mas Harry foi mais longe, admitindo que se sentiu “realmente dececionado” com o pai, o príncipe Carlos, durante um período difícil. “Ele tinha passado por algo semelhante. Ele sabe o que é a dor“, sublinhou.

Além disso, o duque de Sussex contou a Winfrey que se sentiu “preso” como membro da família real britânica. “Eu não via uma saída. Estava preso, mas não sabia que estava preso”, disse Harry, citado pela mesma publicação.

“Preso dentro do sistema, como o resto da minha família está”, continuou o príncipe Harry, acrescentando que o seu pai, o príncipe Carlos, e o irmão, o príncipe William, também estão presos.

“Eles não podem ir embora. E eu tenho uma grande compaixão por isso“, disse.

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Casal à espera de uma menina

Os duques de Sussex anunciaram também que estão à espera de uma menina, cujo nascimento está previsto para este verão, e revelaram que estavam secretamente casados três dias antes da data oficial do casamento, em maio de 2018.

Durante a entrevista a Oprah Winfrey, na qual falaram sobre a sua experiência antes de se afastarem da monarquia britânica, o duque e a duquesa, que vivem na Califórnia há quase um ano, disseram que o bebé deve nascer este verão e não tencionam ter mais filhos.

Inicialmente instalados no Canadá, depois no estado norte-americano da Califórnia, em Montecito, desde março, o casal tem capitalizado a imagem de casal moderno, misto e humanitário, num país onde a opinião lhes é muito mais favorável do que em Inglaterra.

Desde a mudança, o casal criou uma fundação, Archewell, e comprometeram-se a produzir programas para a Netflix, por 100 milhões de dólares (84 milhões de euros), de acordo com vários meios de comunicação social norte-americanos, bem como podcasts para o Spotify.

Além disso, foi anunciada uma parceria com a plataforma Apple TV+, em colaboração com a apresentadora norte-americana Oprah Winfrey.

Segundo o Wall Street Journal, a venda da entrevista à CBS rendeu sete a nove milhões de dólares (5,8 e 7,6 milhões de euros) ao canal “Oprah”, mantendo os direitos internacionais, uma fonte de receitas sognificativa, porque uma boa parte do planeta aguardava por este evento televisivo.

A entrevista com Oprah Winfrey foi a primeira do casal desde que ambos renunciaram aos deveres reais.

Isabel II apela à amizade e à união

Este domingo, horas antes da entrevista ser transmitida, a rainha de Inglaterra, a avó de Harry, dirigiu-se à nação, durante as habituais celebrações do Dia da Commonweatlh. A data ficou marcada pela mensagem de Isabel II, gravada a partir do Castelo de Windsor.

“Na próxima semana, ao celebrarmos a amizade, o espírito de união e as conquistas da Commonweatlh, teremos a oportunidade de refletir sobre um momento diferente de todos os outros”, afirmou a rainha, no início do seu discurso comemorativo, transmitido durante uma edição especial da BBC One.

“Os momentos de provação vividos por tantos levaram-nos a uma apreciação mais profunda do apoio mútuo e do sustento espiritual que recebemos por estarmos ligados uns aos outros”, continuou Isabel II, citada pelo Observador.

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“Espero que possamos manter este renovado sentido de proximidade e comunidade”, referiu ainda.

Entrevista põe família real em xeque

A entrevista concedida à televisão norte-americana caiu como uma bomba no Reino Unido, abalando a monarquia com pesadas acusações de racismo, insensibilidade e relações familiares tensas.

Para o jornal The Times, “o que quer que a família real esperasse da entrevista, foi pior”.

“Meghan sofreu de tendências suicidas. Ela estava preocupada com seu bem-estar mental. Chorou durante um compromisso oficial. E a família real não ajudou”, acrescentou o diário, evocando “denúncias nocivas”.

“A imagem que surgiu é a de um casal vulnerável, que se sentia preso no seu papel [na família real] e que se sentia desprotegido pela instituição”, continua o jornal.

Para o Daily Telegraph, não chegava à família real “esconder-se atrás do sofá”. Era de um “colete à prova de balas” que precisava perante a entrevista, que continha “munições suficientes para afundar uma frota” e, “possivelmente, como alguns temem, infligir os mesmos estragos à monarquia britânica”.

“É justo dizer que esta entrevista indiscreta de duas horas é o pior cenário possível para o que o casal tem repetidamente referido como a Firma”, uma alcunha dada à monarquia, acrescenta o diário conservador, destacando os comentários racistas de que, segundo Meghan e Harry, o filho Archie foi alvo antes mesmo de nascer.

As alegorias militares também foram invocadas pelo canal de televisão ITV: “O casal na prática carregou um bombardeiro B-52, voou sobre o Palácio de Buckingham e descarregou o arsenal todo em cima”.

Para a BBC, esta “é uma entrevista devastadora” que revela “as terríveis pressões dentro do palácio” e esboça “a imagem de indivíduos insensíveis perdidos numa instituição indiferente”.

O tabloide Daily Mirror insiste na “imensa tristeza” do príncipe herdeiro Carlos, pai de Harry, e do irmão mais velho William, enquanto o Daily Express denuncia “uma conversa televisionada com Oprah que serve os próprios interesses” do casal, exilado nos Estados Unidos desde o afastamento da monarquia, na primavera de 2020.

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  Sofia Teixeira Santos, ZAP // Lusa

4 Comments

  1. Afirma que foi discriminada e difamada, são alegações. Mas depois vem para a televisão difamar o resto da família, são factos. Há pessoas que não têm um pingo de nobreza. Pode-se pintar com as cores todas que ela continua sozinha a enfiar o barrete. O anterior episódio de uma americana casada com um duque acabou com um aperto de mão ao Hitler. Mau agouro

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