Médicos Sem Fronteiras admite 24 casos de assédio e abuso sexual em 2017

nesimo / Flickr

Médicos Sem Fronteiras (MSF)

A Médicos sem Fronteiras anunciou, esta quarta-feira, que identificou 24 casos de assédio e de abuso sexual em 2017 no seio da organização, numa altura em que também a Oxfam está envolvida num escândalo sexual.

Das 146 queixas ou alertas recebidos pela direção da ONG criada em Paris, em 1971, “40 casos foram identificados como casos de abuso ou assédio após uma investigação interna”, indicou a Médicos sem Fronteiras (MSF), num comunicado.

“Destes 40 casos, 24 foram casos de assédio e de abuso sexual”, referiu a organização internacional, que integra 40 mil funcionários permanentes em todo o mundo, precisando que 19 pessoas foram despedidas.

“Nos outros casos, os funcionários foram sancionados com medidas disciplinares ou suspensões”, explicou a mesma nota informativa.

A MSF, organização sem fins lucrativos que oferece ajuda médica e humanitária a populações em situações de emergência, divulga esta informação numa altura em que a ONG britânica Oxfam está no centro de um escândalo após a descoberta de graves infrações e abusos sexuais cometidos por certos funcionários em países como Haiti, Chade, Sudão do Sul ou Libéria.

Uma das denúncias indicou que, em 2010, ex-diretores e funcionários da Oxfam encobriram orgias e pagaram prostitutas, algumas possivelmente menores de idade, no Haiti, país na altura devastado por um terramoto que matou mais de 100 mil pessoas.

Na segunda-feira, a vice-diretora-executiva da Oxfam, Penny Lawrence, demitiu-se na sequência deste escândalo. A ONG britânica sofreu outro duro golpe na terça-feira, com a detenção na Guatemala do presidente da Oxfam Internacional, o ex-ministro das Finanças guatemalteco, Juan Alberto Knight, no âmbito de um escândalo de corrupção.

A MSF não precisou onde estavam a trabalhar os elementos acusados de assédio ou de abuso sexual, nem a origem das denúncias, mas precisou que os 24 casos assinalados não incluem “casos diretamente geridos por equipas no terreno ou não relatados à sede” operacional em Paris.

Segundo a organização, os casos foram tratados com a máxima “confidencialidade” para proteger as vítimas.

“Um dos principais desafios da MSF é eliminar os obstáculos que encontram as pessoas suscetíveis de denunciar os abusos. Devemos fazer mais para sensibilizar sobre como funcionam os mecanismos de denúncia”, salientou a organização.

A ONG francesa considerou que o baixo número de denúncias se deve ao estigma que persegue a pessoa que faz a queixa, situação que se intensifica nas zonas de conflito onde a MSF está presente.

“Normalmente não existem mecanismos de proteção para as vítimas, o nível de violência generalizada é elevado, assim como a impunidade. As populações estão demasiado dependentes da ajuda externa” fornecida através de organismos internacionais como as ONG, salientou a MSF.

A MSF, que recebeu o Nobel da Paz em 1999, está presente em 71 países, nomeadamente Iraque, Iémen, República Democrática do Congo e Sudão do Sul.

// Lusa

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