Matadouros na Tailândia e no Camboja matam porcos à paulada

Uma fotojornalista canadiana seguiu o trabalho de um matadouro, na Tailândia, onde os porcos são mortos à paulada. Um vídeo recente num outro matadouro no Camboja revelou a mesma prática.

Há 20 anos, Jo-Anne McArthur começou o projeto We Animals para documentar as formas indignas como os animais são tratados nas várias indústrias, desde quando são usados para consumo, passando pela experimentação ou entretenimento.

Nos últimos tempos, a fotojornalista está focada no mercado asiático e o seu trabalho mais recente foi no interior de um matadouro em Banguecoque, na Tailândia, onde os porcos são mortos “à paulada”.

As fotografias (que podem chocar os mais sensíveis) mostram os trabalhadores a atordoar estes animais com ferramentas caseiras e, posteriormente, a espancarem-nos com um bastão de madeira antes de lhes cortarem o pescoço.

Numa entrevista ao P3, a fotógrafa canadiana explicou que, “por muito difícil que seja, precisamos de ver a violência para sabermos o que estamos a comer. Porque isto é a realidade para milhares de milhões de animais, quer sejam mortos à paulada, quer sejam inapropriadamente eletrocutados antes de terem o seu pescoço cortado”.

A fotojornalista diz que, embora existam recomendações no país para mortes de animais “sem crueldade”, a verdade é que dentro dos pequenos e médios matadouros, as normas tailandesas são entendidas mais como “sugestões do que como lei”.

Este mês, o The Guardian denunciou uma situação semelhante no Camboja através de um vídeo, captado pelo grupo de ativistas britânico Moving Animals, que mostrava trabalhadores a baterem várias vezes nas cabeças dos porcos com uma vara de metal.

“Nós tratamo-los como objetos, com completa desconsideração por qualquer dor física ou emocional que eles poderão ter neste processo”, alerta a fotojornalista de 42 anos na conversa ao telefone com o P3. “O foco está em maximizar a produção e o lucro e não no animal senciente, que pode estar a sofrer imenso”.

“Tenho vindo a criar um contacto próximo com os animais há muito tempo. E diria que quer estejam numa fábrica de produção ou num matadouro, os olhos deles parecem sempre estar sempre a perguntar: ‘O que é que vem a seguir?’. Aprendem desde muito novos a temer-nos. E vi isso em muitas espécies. Com poucas semanas de vida, já sabem esconder-se na parte de trás da jaula”, lamenta.

Em declarações ao jornal britânico, Kate Blaszak, da associação internacional World Animal Protection (WAP), alerta para a crueldade da indústria animal nesta parte do mundo.

“Por todo o Sudeste Asiático, são necessários padrões humanos de abate e fiscalização para todas as espécies abatidas, incluindo porcos, galinhas, gado bovino e búfalos, bem como gansos e patos”.

“Pela minha experiência, há pouca aplicação ou mesmo regulamentação que garanta o bem-estar animal durante o abate, exceto quando falamos de grandes empresas em alguns países”, conclui.

ZAP //

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4 COMENTÁRIOS

  1. Caro ZAP, boa tarde.
    Creio que os animais são “electrocutados” e não “electrificados”. Até me sinto mal, por corrigir, mas o sentido é completamente diferente… nenhuma criatura deveria ser assim tratada, que horror!
    Nem sequer imagino pessoas capazes de levarem a cabo este trabalho, mas sei que as há.
    E sim, concordo c/a informação para que todos possamos fazer pressão para que estas práticas sejam erradicadas.
    Bom trabalho.

    • Bom dia.
      Sim, infelizmente ainda se faz, para os sangrar p/os chouriços. Mas em alguns locais, já se lhes dá um tiro, na cabeça, para terem morte imediata e de seguida são sangrados.
      Mas essas tradições é um animal, p/consumo familiar, claro que feito milhares de vezes, todos os anos. Não estou a defender, atenção! Mas nos matadouros, onde os animais são abatidos em grandes quantidades e já que o são, enquanto não nos tornamos todos vegetarianos (o que também é uma utopia), é URGENTE adoptar práticas contra o sofrimento animal.

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