Marques Mendes defende que boicote ao vice da AR é “decisão pouco inteligente” por “fazer o jogo do Chega”

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Mário Cruz / Lusa

Luís Marques Mendes

O comentador da SIC considera ainda que a maioria absoluta do PS pode ser algo positivo porque garante estabilidade e permite que o Governo faça reformas a fundo no país.

No seu habitual espaço de comentário aos domingos à noite na SIC, Luís Marques Mendes falou sobre o resultado das eleições e o que se pode esperar do próximo Governo maioritário do PS, nomeadamente a sua “composição” e o seu “espírito reformador”.

“A grande dúvida: o próximo governo será um governo forte ou será mais do mesmo? Será um governo recauchutado ou um governo realmente novo? Se o primeiro-ministro recrutar pessoas na sociedade civil, nas Universidades e nas empresas, pode ser um governo forte”, questionou, sugerindo Francisco Assis para Ministro.

O comentador considera que estarão no próximo executivo todos os potenciais sucessores a António Costa na liderança do PS, sendo estes Pedro Nuno Santos, Mariana Vieira da Silva, Fernando Medina e Ana Catarina Mendes.

Relativamente ao espírito reformador do Governo, Marques Mendes considera que Costa tem uma “oportunidade excelente” de aproveitar a maioria para fazer grandes reformas, mas lembra que “a dúvida é grande” porque “fazer reformas não tem sido o ponto mais forte do PM”.

O conselheiro de Estado considera, no entanto, que estas reformas são “cruciais”, já que Portugal está “na cauda da Europa” e que não se sai desta situação só com “bazucas”, mas sim “reformando o sistema fiscal, para o tornar mais competitivo; reformando a justiça, sobretudo a justiça económica e reformando a administração pública”.

Sobre a maioria absoluta conquistada do PS, continua “a loucura das explicações das derrotas”, com a deputada do PSD Isabel Meireles a culpar o povo à direita e com a esquerda a culpar o Presidente da República. “Esquecem o essencial: o povo quis estabilidade; fez uma avaliação positiva da gestão do Governo na crise; e não vê o PSD como alternativa”, considera.

Marques Mendes afirma ainda que “as maiorias absolutas podem ser boas para o país” porque garantem “estabilidade”, “responsabilização” e “coerência nas políticas”. São também “boas para a oposição” que tem “tempo e condições para se preparar como alternativa, sem constrangimentos nem chantagens”.

Mesmo assim, o comentador entende o medo das maiorias absolutas depois do Governo de Sócrates ter acabado num “caso de polícia” e lembra ainda os “tiques de arrogância” dos executivos de Cavaco Silva.

Com a maioria absoluta socialista, o Presidente da República “ganhou duas funções novas e diferentes”. A primeira é a de “fiscalizador dos eventuais excessos e abusos de uma maioria absoluta” e a segunda e “mais importante” é a de “impulsionador de uma agenda reformista no país“.

“Não é o PR que governa e que reforma. Mas pode ser o PR a exercer uma magistratura de influência no sentido de ajudar o Governo a fazer várias reformas que o país precisa”, considera.

“É fazer o jogo do Chega”

Sobre a polémica do boicote que se antecipa às escolhas de um deputado do Chega para a vice-presidência da Assembleia da República, Marques Mendes acredita que esta seria uma “decisão pouco inteligente” porque é “fazer o jogo do Chega” que vai aproveitar a situação para “fazer-se de vítima”.

“André Ventura vai vitimizar-se, vai ter mais palco, mais protagonismo, mais visibilidade e mais força”, defende. Mesmo assim, o comentador acredita que a decisão de se boicotar os candidatos do Chega é “legítima e democrática”, apesar de  “engordar o monstro” e poder levar a que o partido suba nas sondagens.

Sobre a política interna do PSD, Marques Mendes aponta Luís Montenegro, Paulo Rangel, Miguel Pinto Luz e Jorge Moreira da Silva como possíveis sucessores de Rui Rio, sendo Montenegro o favorito.

No entanto, ter um novo rosto na liderança não é suficiente para revitalizar o PSD porque este “não é um partido atrativo”. Os jovens, por exemplo, preferem a Iniciativa Liberal e falta ainda “coragem” aos sociais-democratas para descartar de vez a possibilidade de se aliarem ao Chega.

Os idosos também não são convencidos pelo PSD por causa da memória da troika e o partido é “preguiçoso e monotemático” ao não apresentar propostas para a cultura ou para a ciência.

“Fomos todos enganados”

Tal como é costume no seu espaço de comentário, Marques Mendes fez um balanço dos dados da pandemia e falou da recente confusão com as contabilizações dos números de internados e mortos com covid-19.

“Afinal, não são só as sondagens que falham. A DGS também”, começa, lembrando que a DGS corrigiu agora os dados dos internamentos, que foram em média menos 25% do que aquilo que foi inicialmente divulgado. “Foi incompetência ou negligência? Em qualquer caso, fomos todos enganados!”, critica.

Marques Mendes falou ainda no isolamento para os infectados. “Temos cerca de um milhão de pessoas isoladas. Esta situação não faz sentido. A taxa de vacinação é alta. A dose de reforço já chegou a 90% das pessoas com mais de 60 anos. O pico pandémico aparentemente já passou”, recorda.

O conselheiro de Estado acredita que já está na hora de se “acabar ou reduzir para 5 dias o isolamento para os que têm sintomas leves” e também de se “acabar com isolamento para aqueles que estão assintomáticos”.

  Adriana Peixoto, ZAP //

9 Comments

  1. Adoro estes raciocínios ” Fazer o jogo do Chega que vai fazer-se de vitima”, se isto acontecesse ao PSD, PS, PCP ou BE tenho a certeza que aceitariam tal decisão com um grande espírito democrático…. Enfim conversa para boi ouvir.

  2. É só hipocrisia! O PSD + IL + Chega estariam próximos de vencer as eleições. Só uma coligação destes partidos pode levar o PSD à vitória. Portanto, a tática do PS de contestar fortemente o Chega tem o objetivo deste roubar votos ao PSD e impedir que se faça uma coligação à direita, incluindo o Chega. O futuro tem que ser uma coligação destas forças políticas. Costa pode atraiar os radicais de esquerda e o PSD não pode atrair um partido radical de direita?!| Tenham juizo. Costa sabe muito mas só engana alguns. O Chega é apelidado de terrorista/fascista e outros istas, porque Ventura diz abertamente o que está mal e onde a vigarice reina. É disto que esta democracia precisa, para ver se alguma coisa muda e se eleve Portugal e o bem-estar de cada portugês. O que para aí anda é politiquices de xico-espertos e ilusionismos despudorados.

  3. Partidos estalinistas e outros da mesma (espécie) defensores de ditaduras têm assento na AR e dizem-se escandalizados com o CHEGA só porque defende a prisão perpétua, combate à corrupção e fim de certas regalias a minorias que recusaram sempre a integração na sociedade; agora até o senhor primeiro-ministro entra na mesma dança recebendo todos os partidos excepto o CHEGA, afinal quem anda por aí a fazer da democracia uma espécie de diversão?

  4. DITADURA E RACISMO É SIM A EXTREMA ESQUERDA
    Vejam as ditaduras da Venezuela, Cuba, Coreia do Norte, Russia, Sibéria etc….além de ditadores são assassinos.
    Ditaduras da extrema esquerda estão no poço….
    Quem é de extrema esquerda não deveria viver em Portugal, mas sim nos países de ditadura de esquerda.

  5. Assim que este ilustre diz que “as maiorias absolutas podem ser boas para o país”… qualquer comentário seguinte não tem qualquer valor!
    As maiorias absolutas em Portugal acabaram sempre em desgraça… pelo menos para o povo!

    • Ainda agora a procissão vai no adro! Estejamos atentos no que vai dar esta maioria absoluta, que até o próprio PS espantou. O absolutismo do PS foi sempre sinal de mau augúrio.

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