Marisco teve um papel vital na antiga jornada dos humanos em direção à Ásia

Llez / Wikimedia

Conomurex fasciatus, espécie de caracol marinho

Há cerca de 70 mil anos, aconteceu um fenómeno chamado Southern Dispersal (“dispersão do sul” em Português), em que os seres humanos modernos migraram do continente africano para a península arábica.

Neste período, conta o site Science Alert, a região passou por uma aridez severa, o que terá levado a uma escassez de vegetação e, consequentemente, de grandes mamíferos terrestres para os caçadores-coletores. Por isso, a questão que se coloca é: o que é que estes ‘migrantes’ comeram durante o caminho?

A resposta, pensam alguns cientistas, está no oceano. No entanto, muitos debatem a solidez desta teoria, uma vez que não há muitas evidências disso, sobretudo, porque as localidades costeiras dessa época estão submersas devido ao aumento do nível do mar.

Por isso, num novo estudo publicado, em maio, na revista Quaternary International, investigadores da Universidade de York, no Reino Unido, analisaram restos de conchas de mais de 15 mil espécimes de Conomurex fasciatus, uma espécie de caracol marinho que vive no Mar Vermelho.

As conchas examinadas, retiradas de aterros humanos nas Ilhas Farasan, na Arábia Saudita, datam de aproximadamente sete mil a cinco mil anos, o que significa que são muito mais recentes do que os restos de moluscos consumidos há 70 mil anos.

Porém, explica o mesmo site, há cerca de oito mil anos, a região do Mar Vermelho exibia uma aridez semelhante à que foi observada durante a chamada “dispersão do sul”, tornando estes restos uma analogia justa para as condições ambientais dessa altura.

Os cientistas estavam à procura de variações significativas no tamanho das conchas entre os milhares de restos de moluscos, o que indicaria que a colheita humana estava a afetar a sua população.

Se tivessem encontrado evidências disso nos gastrópodes analisados, isso poderia desacreditar a sugestão de que os migrantes, durante a Southern Dispersal, há muito mais tempo podiam confiar nos alimentos provenientes do Mar Vermelho.

Mas a equipa não encontrou sinais disso, o que reforça a ideia de que uma população abundante de marisco poderá ter alimentado os seres humanos há 70 mil anos, tal como o fez nos tempos mais recentes.

“Os nossos dados mostram que, numa altura em que muitos outros recursos na terra eram escassos, as pessoas podiam confiar no marisco disponível localmente”, afirma o arqueólogo Niklas Hausmann, um dos autores do estudo.

ZAP //

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