Marcha das panelas vazias em 14 cidades da Venezuela

durdaneta / Flickr

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Milhares de opositores manifestaram-se este sábado em Caracas, ao som de panelas vazias, contra a escassez de produtos na Venezuela, apesar de as autoridades municipais não terem autorizado o protesto, alegando a possibilidade de violência.

Os opositores, que previam realizar a marcha, em Caracas, desde a avenida Las Palmas até ao Ministério de Alimentação, acabaram por se concentrar no ponto de partida e em artérias vizinhas, na “marcha das panelas vazias”, tendo conseguido fazer recuar um grupo de forças policiais que tentavam reprimir a manifestação.

Estamos aqui e não vamos mexer um pé. Mais uma vez negaram-nos as autorizações. Quando a oposição quer manifestar-se, os simpatizantes do regime convocam sempre uma marcha, para haver uma justificação para não nos deixarem manifestar livremente“, disse uma luso-descendente à agência Lusa.

Contrariada com a situação de escassez no país, Noemí Martins, de 30 anos, explicou que “o povo já está cansado de abusos de políticos que dizem ser democráticos, representar o povo, mas que não escutam o povo, que manipulam a realidade e tentam impor uma linha de pensamento único no país”.

Não tenho e não uso armas, porque sou contra o uso de armas e querem acusar-nos de ser os violentos. Tenho apenas um pequeno tacho para fazer barulho bem forte“, disse a manifestante.

Segundo esta luso-descendente, “há muitos motivos para protestar” na Venezuela, como “a insegurança, a impunidade, o abuso de poder, a repressão, a [falta de] liberdade de expressão, a escassez de alimentos e medicamentos e a corrupção“.

Além de tachos e panelas, de bonés tricolores e bandeiras da Venezuela, os manifestantes exibiram cartazes com mensagens como “Tiraram-me os meus direitos, não há leite“, “Não há, não há, não há! Até quando?” ou “Procura-se frango, vivo ou nos mercados“.

Segundo a imprensa venezuelana, a “marcha das panelas vazias” realizou-se em 14 cidades da Venezuela, entre as quais Puerto La Cruz, Barquisimeto e Maracaibo.

Em Puerto La Cruz, 250 quilómetros a leste da capital, Caracas, os manifestantes concentraram-se junto de uma sucursal da rede estatal de supermercados Bicentenário, na avenida Intercomunal, tendo batido fortemente vários tachos, para chamar a atenção para a falta de produtos dentro daquele estabelecimento comercial.

Um manifestante explicou aos jornalistas que, no mercado estatal Éxito, também não havia “carne, peixe, leite, açúcar, óleo, farinha de milho, farinha de trigo nem café“.

O líder opositor Henrique Capriles Radonski e a Mesa de Unidade Democrática (MUD) convocaram as mulheres para se manifestarem hoje contra a escassez de alimentos no país e para reclamarem o fim da repressão policial contra manifestantes opositores, de modo a assinalar o Dia Internacional da Mulher.

Em Caracas, o presidente da Câmara Municipal de Libertador, o socialista Jorge Rodríguez, anunciou, na sexta-feira, que não foram outorgadas as autorizações necessárias para manifestações da oposição, na área da sua jurisdição.

O anúncio foi feito através da sua conta no Twitter, onde precisou que “o município Libertador é um município de paz, livre de fascismo”. “E assim o manteremos”, acrescentou.

Devemos resguardar a vida e os bens dos habitantes do município, portanto negámos autorização a uma marcha que pode vir a ser violenta“, escreveu.

Desde há um mês que se registam diariamente protestos em várias localidades da Venezuela, entre manifestações pacíficas e atos de violência, que já provocaram 22 mortos, várias centenas de feridos e mais de um milhar de detidos.

Segundo o Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa, pelo menos 89 jornalistas foram agredidos e roubados por oficiais dos organismos de segurança e, nos últimos dias, também por manifestantes.

Os protestos começaram a 08 de fevereiro, no Estado venezuelano de Táchira, a 830 quilómetros a sudoeste de Caracas, e intensificaram-se quatro dias mais tarde, após uma marcha pacífica de estudantes contra a insegurança no país, quando confrontos com forças de ordens e supostos grupos armados, provocaram a morte de três pessoas.

/Lusa

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