Manter a casa quente engorda

Jeezny / Flickr

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Um estudo levado a cabo por cientistas holandeses indica que o sistema de aquecimento central das habitações pode estimular o aumento de peso, uma vez que o corpo não precisa de queimar calorias extra para se manter aquecido.

Segundo os investigadores do centro médico da Universidade de Maastricht, na Holanda, 19 graus é uma temperatura ideal e suficiente para proporcionar o equilíbrio certo ao organismo.

Contudo, alguns investigadores argumentam que diminuir o termóstato do sistema que aquece os domicílios pode fazer com que as pessoas, naturalmente, comecem a comer mais.

Tal ideia de perda de peso está relacionada com o balanço de energia: as pessoas ganham mais peso se ingerirem mais calorias do que as que conseguem queimar no dia-a-dia.

Silhueta mais fina

De acordo com o estudo, 90% das pessoas passam a maior parte do tempo em lugares fechados e, por isso, mantêm os ambientes aquecidos para obter maior conforto. Isso faz com que o corpo não precise de trabalhar para controlar a sua temperatura.

“No frio ameno, a capacidade de queimar calorias aumenta em 6% . A longo prazo, pode fazer a diferença. Sem dúvida, isso pode ser uma grande ajuda, combinado com mudanças na alimentação e prática de exercício físico”, explicou à BBC Wouter van Marken Lichtenbelt, responsável pela pesquisa.

“As pessoas podem pensar em diminuir o termóstato de casa e sair para a rua”, acrescentou.

Dois em cada três adultos no Reino Unido são classificados como ‘acima do peso’ ou obesos. A obesidade é um problema crescente em todo o mundo. Desde 1980, os casos de obesidade quadruplicaram para cerca de mil milhões em países em desenvolvimento.

Calor polémico

Mas a teoria de que o controlo da temperatura pode ser a solução para a obtenção do peso ideal é polémica e gera muitos debates.

Michael Daly, que pesquisa o assunto na Universidade de Stirling, na Escócia, disse à BBC que “se não se compensasse (a redução de temperatura) uma pessoa perderia peso”.

“Mas não é o que acontece. Uma pessoa vai querer comer uma barra de chocolate. É assim que funciona. Além disso, estudos mostram que, em baixas temperaturas e em lugares fechados, estamos mais propensos a sofrer derrames”, disse Daly.

Daly é responsável por uma pesquisa feita em 100 mil lares em Inglaterra. O estudo indica que pessoas que moram em casas aquecidas acima de 23 graus tendem a ser ligeiramente mais magras que as outras. Nessa sentido, o corpo precisa de perder calor e a transpiração aumenta a energia.

Segundo ele, altas temperaturas reduzem o apetite e a quantidade de comida ingerida.

Já Tam Fry, do Fórum Nacional de Obesidade do Reino Unido, diz que “um ambiente frio acciona os depósitos de gordura castanha, que geram 300 vezes mais calor do que qualquer órgão do corpo”.

“Eles são um recurso térmico natural. O calor manteve-nos aquecidos quando éramos bebés e pode continuar a manter-nos assim”, acrescentou.

“Perder peso é um bónus. Diminua o seu termóstato e veja os resultados”, concluiu.

ZAP / BBC

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2 COMENTÁRIOS

  1. O que estes cientistas parecem ignorar é que as pessoas que têm capacidade económica para terem a casa aquecida, são taambém aquelas com capacidade económica para consumirem alimentos de qualidade e para não se restringirem ao feijão, batata e arroz. Ou seja, trata-se de um problema ECONÓMICO, e não de um problema apenas METABÓLICO.

    • Ora você tocou num ponto fundamental, pois e também se sabe que os produtos mais baratos são os que têm mais ingredientes duvidosos e que fazem mais mal. Ou seja, para além de não terem dinheiro para se alimentarem convenientemente, só se enchem de porcaria.

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