Mais de 5 anos depois de apresentada, Silicon Valley de Paredes continua no papel

Mais de cinco anos após a apresentação do projeto, a cidade inteligente que a norte-americana Living PlanIT queria instalar em Paredes deveria ter a “massa crítica” concluída e 12 mil empresas já instaladas, mas ainda não saiu do papel.

“Acredito que já haja pessoas a morar na cidade no final do próximo ano, em que alguns edifícios já estarão concluídos, e a primeira fase estará terminada no primeiro ou segundo trimestre de 2012. Por volta de 2015 esperamos ter atraído cerca de 12 mil empresas e a massa crítica já estará concluída, mas a cidade estará em constante desenvolvimento”, afirmava em junho de 2010 o presidente da empresa promotora Living PlanIT, Steve Lewis.

Então classificado como Projeto de Interesse Nacional (PIN), o PlanIT Valley – conhecido como a “cidade do futuro” de Paredes – representava um investimento de 10 mil milhões de euros e ambicionava ter milhares de habitantes em menos de uma década, sendo que, numa primeira fase, Steve Lewis previa a instalação de 11 mil pessoas numa área de um milhão de metros quadrados.

“Quando acabarmos, dentro de provavelmente menos de 10 anos, teremos no PlanIT Valley 225 mil pessoas, das quais 110 mil em empregos de investigação e desenvolvimento”, afirmou em declarações à agência Lusa, em outubro de 2011.

Após várias tentativas, mal sucedidas, para ouvir o presidente da Living PlanIT, a Lusa contactou fonte oficial da Câmara Municipal de Paredes, que disse ter apenas a informação de que “os investidores continuam a estar interessados” no projeto.

“Da parte da Câmara não temos muito mais a acrescentar. Pediram-nos para desburocratizar algumas situações, foi tudo tratado, e a informação que temos é que continuam a estar interessados, mas não há mais desenvolvimentos. Continua tudo nas mãos dos investidores, que penso que estarão a angariar mais parceiros para desenvolver o projeto”, afirmou a fonte.

Projetado para uma área total de 40 hectares nas freguesias de Recarei, Sobreira, Aguiar de Sousa e Parada de Todeia, o PlanIT Valley prometia ser “a primeira cidade do mundo em que a tecnologia está presente desde a construção dos edifícios e dos espaços”, o que criaria “novas oportunidades a nível da energia, inovação e formas de interação entre as pessoas”.

O objetivo, salientavam os promotores em 2010, era criar uma cidade piloto que seria o modelo das cidades do futuro, com uma comunidade “muito focada nos técnicos e trabalhadores na área tecnológica”.

Para “atrair talento mundial e fixar o talento que já existe em Portugal” o PlanIT Valley pretendia assumir-se como “um bom espaço para viver”, com locais de trabalho e pesquisa, mas também infraestruturas de educação, de saúde, de lazer, de comércio e zonas habitacionais.

“Não é um parque de ciência nem um campus, é uma cidade verdadeira com tudo o que há numa cidade, mas que esperamos que tenha um espírito tipicamente português”, explicou, na altura, Steve Lewis.

Em junho de 2010, altura em que foi formalizada a adesão da primeira empresa – a Cisco – ao projeto, eram apontados os nomes da McLaren, Siemens, Microsoft, Intel, IBM e Bosch como pretendendo instalar centros de investigação e desenvolvimento no Silicon Valley português e o arranque da construção dos primeiros edifícios estava agendada: o último trimestre daquele ano.

Mais recentemente, em junho de 2013, o presidente da Living PlanIT avançou a falta de financiamento como o obstáculo ao arranque do projeto, que terá sofrido os efeitos colaterais da entrada da troika em Portugal.

“Inicialmente desenvolvemos uma estratégia de financiamento baseada em dívida, alavancando as fontes internacionais de financiamento, mas tivemos que repensar a nossa estratégia”, afirmou então Steve Lewis, em declarações ao Dinheiro Vivo.

Na altura, Lewis disse ter já reformulado o plano e pretender entregá-lo “brevemente” à Câmara de Paredes e ao Governo para análise e aprovação, sendo que o financiamento necessário passaria a vir de fundos de investimento e de capitais de risco, que estariam até “interessados numa IPO (Initial Public Offering – oferta pública inicial) da Living PlanIT”.

Sem fixar datas nem montantes, Steve Lewis falava então em avançar, numa primeira fase, com a sede do Living PlanIT, a investigação e desenvolvimento, o laboratório da Internet das Coisas e instalações executivas, revelando que se trataria de “instalações state of the art em escala” e que a ideia seria exportar a tecnologia ali desenvolvida.

Também em 2013, o gestor norteamericano disse ao jornal Público que, apesar de estar a demorar “muito mais do que o previsto”, não tinha intenção de desistir do projeto, adiantando então que estavam cerca de “50 pessoas” envolvidas em Portugal, tendo já sido investidos “muitos milhões de euros no desenvolvimento do conceito”.

“Já não perco o sono a pensar se irá acontecer, mas sim a pensar quando e como irá acontecer”, afirmou então.

/Lusa

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