A banda desenhada pode ter sido inventada pelos Maias

Se um dia tiver a sorte de manusear um autêntico vaso da civilização Maia, vai reparar em algo intrigante: o objecto é normalmente decorado com desenhos e textos que contam uma história à medida que é girado.

As cenas recriam situações cómicas ou surreais, com o uso de recursos gráficos para dar movimento e acção aos personagens – nada muito diferente das histórias de banda desenhada de hoje em dia.

Muito além de se tratar apenas de um passatempo divertido, este tipo de utensílio era bastante cobiçado e costumava servir de moeda de troca em difíceis negociações políticas ou formações de alianças na América Central do período entre 600 e 900 d.C..

“Era a forma de arte mais elevada que se conhecia”, explica o linguista Soren Wichmann, da Universidade de Leiden, na Holanda, citado pela BBC.

“Tratava-se de uma forma altamente valorizada de se contar histórias, enquanto hoje os quadradinhos muitas vezes são encarados com uma arte menor”, acrescenta.

Wichmann escreveu sobre o assunto num artigo académico intitulado “Os Primeiros Quadradinhos da América”, e que agora adaptou como capítulo no livro americano “The Visual Narrative Reader” (“O leitor de Narrativas Visuais”, em tradução literal).

Justin Kerr / BBC

Desenhos em cerâmica dos Maias podem ser primeira banda desenhada conhecida

Desenhos em cerâmica dos Maias podem ser primeira banda desenhada conhecida

Segundo o estudioso, os desenhos dos Maias apenas mostravam cenas de histórias já conhecidas, transmitindo a ideia de que os “leitores” já conheciam a trama principal – algo diferente dos quadradinhos de hoje.

Humor e movimentos

É claro que contar histórias de uma maneira visual é algo que também pode ser observado nas pinturas encontradas nas cavernas pré-históricas. Mas o que realmente chama a atenção na arte dos Maias é a sua semelhança com a maneira como os desenhadores modernos representam elementos como texto, movimentos, sensações, emoções e até humor.

“É possível ver todos esses mecanismos juntos, aproximando-se de algo que é muito semelhante às histórias em quadradinhos”, explica o especialista.

Surpreendido com estes estranhos paralelos? Neil Cohn, cientista cognitivo da Universidade da Califórnia, em S. Diego, e editor de The Visual Narrative Reader, argumenta que a comunicação através de uma narrativa visual é tão natural quanto a fala ou a gesticulação, tanto que deveria ser considerada uma forma de linguagem.

Para ele, assim como os idiomas falados, cada narrativa visual evoluiu para criar o seu próprio vocabulário e a sua própria gramática.

Isso pode ser notado em todo o mundo. Cohn descobriu que os quadradinhos americanos e os mangas japoneses seguem regras distintas quando constroem as suas histórias. Já os aborígenes Arrernte, da Austrália, adoptam uma série de sinais complexos que desenham na areia durante uma narrativa oral que segue uma “gramática” diferente.

Por isso, mesmo que os desenhos dos Maias se pareçam com os quadradinhos modernos, têm as suas próprias convenções.

Mas outras semelhanças chamaram a sua atenção, como por exemplo o uso de metáforas visuais como o fogo, que até hoje é usado para representar uma emoção.

“O facto de a raiva ser associada ao fogo nas narrativas Maias e também nos quadradinhos modernos revela como concebemos esse tipo de ideia abstracta”, afirma.

ZAP / BBC

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