Mãe perdeu a custódia das filhas por trabalhar demais

Elena del Pilar Ramallo Miñán perdeu a custódia das filhas por trabalhar demasiado tempo e fora de casa. Agora, a mãe prepara-se para processar o Estado espanhol pela decisão.

Uma reconhecida advogada da Galiza perdeu a custódia das filhas, de 13 e 7 anos, numa decisão judicial que teve por base o facto de a espanhola trabalhar muito tempo e fora de casa. “Como mãe, mulher e cidadã exijo que ninguém mais em Espanha, por trabalhar e amar o seu trabalho, possa perder os seus filhos. Eu nunca negligenciei os meus deveres como mãe”, afirmou Elena del Pilar Ramallo Miñán.

A decisão de março do ano passado teve como argumento principal o facto de esta mãe trabalhar demasiado tempo e fora de casa. O testemunho da avó das crianças comprovou este facto, realçando as muitas viagens que faz e a participação em diversas conferências.

Segundo o Jornal de Notícias, Elena deparou-se no meio de um debate jurídico sobre as dificuldades de as mães conciliarem o seu trabalho com a vida familiar e aproveitou para levantar duas questões: “deve uma mulher brilhante e divorciada ter de abdicar do seu trabalho para não perder os filhos? Acontece o mesmo aos homens?“.

Elena é licenciada em Direito, responsável pela área de responsabilidade social do Banco Santander na Eurorregião Galiza-Portugal, autora de sete livros e de inúmeros artigos e projetos. Separada há quatro anos, a advogada acusa agora o sistema judicial espanhol de se submeter a uma “comparação injusta das mulheres, porque quando alcançam um certo nível são socialmente estigmatizadas“.

“Dediquei milhares de horas ao meu trabalho, abdicando do descanso e com muito esforço”, para conseguir conciliar, “como milhões de mulheres”, o sacrifício diário de conseguir ser reconhecida e cumprir os deveres de mãe.

Contudo, uma das juízas que analisou o processo de custódia considerou que as crianças deveriam ficar sob a guarda do pai. A juíza fundamentou a sua decisão jurídica na palavra do meu ex-marido, sem outra prova, nem médica nem qualquer outra, para dizer que não tenho capacidade de ser mãe, afirmou Elena.

O ex-marido disse em tribunal que Elena não estava bem e a filha mais velha reafirmou. O jornal ABC teve acesso à sentença, que não permite recurso.

Elena condena que tenham sido consideradas as declarações da sua mãe, com quem tem conflitos há vários anos. A avó das crianças terá dito que a filha devia cuidar das meninas e não trabalhar fora de casa, já que o trabalho do pai era suficientemente bom para sustentar a família.

“Na Espanha do século XXI temos de evitar que isto aconteça. O meu pecado foi o dia em que deixei de ser a mulher do senhor engenheiro (profissão do ex-marido). Há uma parte da sociedade que pede igualdade, mas considera que a mulher tem de cuidar dos filhos a tempo inteiro, senão é uma má mãe. Tiraram-me as minhas filhas por trabalhar“, conclui Elena.

ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. Infelizmente não é só em Portugal que acontecem estas atrocidades. O ser humano, quando tem poder decisório, revela a maldade que existe em si, e não é só na justiça…

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