Sul do Madagáscar entre a seca e as 6 mortes por inundação

mineraux-montagne / Flickr

Antananarivo, Madagascar

Mais de um milhão de pessoas precisam de comida, devido à seca. Mas chuvas fortes provocaram tragédia familiar.

“Costumávamos chamar a Madagáscar a ilha verde, mas, infelizmente, agora é a ilha vermelha”. Palavras de Soja Lahimaro Tsimandilatse, governador da região Androy, no sul do Madagáscar.

Uma reportagem da agência Reuters centrou-se no Madagáscar, a ilha repleta de ecossistemas diversos. Um paraíso natural que se tem transformado, sobretudo na zona sul.

A Organização das Nações Unidas já alertou: a seca fez com que mais de um milhão de pessoas precise de comida, no sul daquele país. Até será o primeiro local do planeta onde as pessoas passam fome por causa das alterações climáticas.

A região que tinha incontáveis árvores tem agora poucas; o vento traz agora areia vermelha, que está a ocupar os locais que eram verdes.

Já são quatro anos consecutivos de seca extrema, ao lado da desflorestação provocada pelo ser humano.

Para muitas famílias do sul, para comer, só resta o cacto raketa – que no entanto tem pouco valor nutricional e que origina dores de barriga.

Por isso, e perante tanta seca, resta esperar por chuva: “Se não chover, não sei o que vamos fazer. Vamos rezar a Deus”, afirmou o morador local Felix Fitiavantsoa.

Inundação provoca vítimas

A coincidência infeliz é que, no dia seguinte à publicação desta reportagem, seis pessoas morreram no sul do Madagáscar por causa de uma inundação.

Um passeio turístico terminou por causa de uma intempérie, ao início da tarde desta sexta-feira. Todos os cinco familiares morreram e o guia turístico também não resistiu, informou a agência France-Presse.

Os fenómenos meteorológicos intensos são habituais no Madagáscar. Mas normalmente surgem ao final da tarde, não no início.

  Nuno Teixeira da Silva, ZAP //

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