(dr) Presidência da República

O Governo português decretou três dias de luto nacional pela morte da Rainha Isabel II do Reino Unido. Uma decisão que está a causar estranheza e indignação, nomeadamente entre figuras do Bloco de Esquerda e do PCP.
Este luto nacional de três dias por Isabel II vai cumprir-se nos dias 18, 19 e 20 de Setembro.
“Sua Majestade a Rainha Isabel II do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte marcou profundamente a segunda metade do século XX e o primeiro quartel do século XXI”, aponta o Conselho de Ministros no decreto que aprovou a medida.
O Governo justifica ainda o luto nacional com o “prolongado e profundo luto no nosso mais antigo Aliado“, considerando que é “a justa homenagem a sua Majestade a Rainha Isabel II”.
Este ato do Governo português “é tanto ridículo como pacóvio”, entende o presidente do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda (BE) na Assembleia da República, Pedro Filipe Soares. “Não representa o sentimento popular e republicano. A mim não me representa“, escreve ainda o deputado no Twitter.
O Governo português declara 3 dias de luto nacional pela morte de Isabel II.
É tanto ridículo como pacóvio.
Não representa o sentimento popular e republicano. A mim não me representa— Pedro Filipe Soares (@PedroFgSoares) September 15, 2022
Outra deputada bloquista, Joana Mortágua, também partilhou a publicação de Pedro Filipe Soares no Twitter a par da frase “Não me representa”.
A deputada bloquista na Assembleia Municipal de Lisboa, Isabel Pires, junta-se às críticas e escreve, igualmente no Twitter, que “há coisas que nem inventadas”.
Já o ex-deputado do PCP António Filipe questiona se “três dias de luto nacional pela Rainha de Inglaterra não é um bocadinho exagerado“.
Manuel Barbosa Lopes do Livre reage, igualmente, com espanto ao assunto. “Porque raio decretou o Governo português três dias de luto nacional pela Rainha de Inglaterra?”, pergunta, pedindo “menos parolice”.
“Um Governo de um Estado Republicano que declara três dias de luto nacional pela morte de uma Rainha, ou é pouco Governo ou é pouco Republicano“, entende, por seu turno, o jurista Tiago Rolino, investigador do Centro de Estudos Sociais.
Já a advogada Carmo Afonso, cronista do Público, reage ao assunto com bom humor. “A vida são dois dias e três deles são de luto nacional pela morte de Isabel II”, nota no Twitter.
“Uma ofensa à República Portuguesa”
Entre os anónimos, há quem fale em “ignorância”, questionando “o que é que a monarquia tem a ver com a democracia”.
“Luto nacional de três dias pela rainha dos outros. Estamos todos malucos“, desabafa uma utilizadora do Twitter.
“Decretar três dias de luto nacional pela morte duma rainha imperialista é uma ofensa a todos os republicanos, é uma ofensa aos valores republicanos fundadores do PS, é uma ofensa à República Portuguesa“, refere, por seu turno, outro utilizador da rede social.
Por outro lado, há quem questione os “nossos critérios de luto nacional”, recordando que Otelo Saraiva de Carvalho e Salgueiro Maia, dois militares marcantes do 25 de Abril, não tiveram direito a esta homenagem.
Mas para Henrique França da Juventude Monárquica Portuguesa, Portugal faz “muito, muito, muito bem”, pois diz que “seria um erro crasso não fazer o luto, também cá, de uma monarca que – mais do que chefe de Estado do nosso maior e mais velho aliado – marcou gerações, vidas e o mundo“.
Quais são os critérios do luto nacional?
É a Lei das Precedências do Protocolo do Estado Português que define os critérios para atribuição do luto nacional, apontando que esta medida é declarada “pelo falecimento do Presidente da República, do Presidente da Assembleia da República e do Primeiro-Ministro e ainda dos antigos Presidentes da República”.
Mas “o luto nacional é ainda declarado pelo falecimento de personalidade, ou ocorrência de evento, de excepcional relevância“, como nota a Lei.
Cabe ao Governo definir os dias do luto nacional, mas a medida implica colocar a Bandeira Nacional a meia-haste durante esse período, conforme está definido nas regras sobre o uso da mesma.
Além disso, podem ser canceladas festividades e cerimónias públicas.
Portugal esteve de luto por Mandela e por Hitler
Além dos vários lutos nacionais pelas mortes de figuras como Amália, Eusébio ou Eunice Muñoz, entre outras, o Governo português também decretou a medida pelos falecimentos de personalidades internacionais como Nelson Mandela e o Papa João Paulo II.
Em 1945, o país também teve três dias de luto nacional por Adolf Hitler depois de este se ter suicidado a 30 de Abril desse ano. O Estado Novo, com Salazar ao leme, decretou a medida, colocando as bandeiras nacionais a meia-haste.
O luto por Hitler acabou por despoletar “uma onda de protestos internacionais e grande escândalo interno“, segundo o historiador Fernando Rosas citado pelo Público num artigo de 2005.
Susana Valente, ZAP // Lusa
Os senhores do governo muitos deles tem familiares monarcas e por causa disso que se faz o luto. É uma república escondida por trás de uma monarquia.
O salazar era amigo intimo de hitler, por isso……
E por Putin, que é o Hitler II, também haverá, na altura, luto nacional?
Por vontade destes indignados, certamente que sim.
Grande parolada! Até sinto vergonha! Fica provado que a humilhação do Ultimato, tão exaustivamente usada pelos republicanos para criticarem e derrubarem a monarquia, foi completamente esquecida pelos que agora gostam de se dizerem herdeiros dos valores da república. Memória seletiva…
A foto não engana: Celinho, além de treteiro tb é o parolo mor.
Dos Pulhiticos Portugueses , mais nada me admira ! .. São gente sem caracter e muito menos representam os valores da Republica em casos como este !
Tanta indignação por colocar-se a Bandeira Nacional a meia-haste durante 3 dias por respeito aos nossos “aliados”. Será que não existem temas mais relevantes que causem o mesmo ou maior nível de desconforto e que mereçam ser discutidos com tanto entusiasmo?
Existem ! e também tenho demostrado o meu repudio de igual forma .
Simplesmente temos a macacada que escolhemos!
Cheira-me a Martelo, por isso viva sua majestade D. Duarte Pio…
como diz D. Duarte Pio de Bragança (A Gainha Mogueo pog isso agoga o Caglos é o Novo Gey)
Se em Portugal se faz luto por 3 dias, nas ex colónias britânicas foram decretados 3 dias de festa. Por muito sanguinário que seja, quando morre um político terá sempre apoiantes e inimigos. Se não pensássemos pela própria cabeça e comessemos tudo o que as TVs, jornais e governo nos vendem o Chega nunca teria 12% com tendência para subir.