Livro de Valter Hugo Mãe foi recomendado ao 3ºciclo por “lapso informático”

Rita Rocha / Facebook

O escritor Valter Hugo Mãe

O escritor Valter Hugo Mãe

O romance “O Nosso Reino”, de Valter Hugo Mãe, que gerou polémica pelas passagens de cariz sexual, sairá das leituras recomendadas no 3.º ciclo pelo Plano Nacional de Leitura para constar apenas no secundário, disse esta segunda-feira o comissário.

“Não está em causa a sua qualidade literária, o que houve foi um problema de inserção na lista. O livro entrou no 3.º ciclo por lapso, porque foi escolhido para o secundário”, disse à Lusa Fernando Pinto do Amaral, comissário do Plano Nacional de Leitura (PNL).

São centenas de livros e dezenas de listas que integram o PNL, pelo que é normal que ocorram erros deste tipo, explicou o responsável, exemplificando com um caso semelhante que aconteceu há uns anos com um livro da escritora Alice Vieira.

De qualquer forma, o poeta desvaloriza a polémica, explicando que não se trata de uma obra de cariz erótico, mas de um livro com memórias de infância e que tem umas passagens com conteúdo sexual, que apareceram descontextualizadas da narrativa.

O livro continuará assim a integrar o Plano Nacional de Leitura, mas na lista das leituras recomendadas apenas para alunos do secundário.

“O Nosso Reino” estava nas listas dos livros de leitura recomendada para o 3.º ciclo do ensino básico, que abrange 7.º, 8.º e 9.º anos, portanto, alunos com idades compreendidas entre os 12 e os 15 anos.

A polémica surgiu quando pais de alunos do 8.º ano do Liceu Pedro Nunes, em Lisboa, que leram o livro nas férias do Natal, se aperceberam do seu conteúdo e protestaram.

Uma das frases do livro que motivou indignação foi por exemplo:“E a tua tia sabes de que tem cara, de puta, sabes o que é, uma mulher tão porca que fode com todos os homens e mesmo que tenha racha para foder deixa que lhe ponha a pila no cu”.

A decisão de passar o livro para as listas do secundário foi tomada depois de uma reunião segunda-feira à tarde com a comissão de especialistas que selecionam os livros.

Contudo, Fernando Pinto do Amaral sublinhou que esta decisão não foi uma “reação” à polémica, mas sim a correção de um lapso, que entretanto foi detetado.

Valter Hugo Mãe já reagiu na sua página de Facebook, lamentando ver o seu romance “reduzido a duas frases, e por duas frases julgado, é sintomático do tempo de sentenças sumárias em que vivemos”.

“Lamento que quem discuta acerca do desconforto de alguns pais, de jovens de 14 anos, com ‘o nosso reino’, pareça ter-se esquivado a ler o livro e a perguntar se o choque provocado vem da sua efectiva leitura ou das duas frases que se autonomizaram sem contexto, parecendo sugerir que a obra é um exercício de perversão”, escreveu.

De acordo com a sinopse no site da Porto Editora, a obra é uma “delicadíssima história de uma criança em torno da ansiedade por uma resposta de Deus”.

A Editora também resume que “O nosso reino” é o “retrato de um Portugal recôndito ao tempo da Revolução dos Cravos que nos conta como em lugares pequenos as ideias maiores são relativamente intemporais e o que acontece ignora largamente o tempo exacto do mundo”.

ZAP // Lusa

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7 COMENTÁRIOS

  1. É no mínimo ridícula essa desculpa do “erro informático” que se continua a utilizar. Os computadores são das máquinas mais precisas jamais construídas. Se existiu erro ele foi de um ser humano, tenha sido ao introduzir dados tenha sido a operar o computador, agora parem é de uma vez por todas a desculpar tudo o que é problemas com os “erros informáticos” ou “erros de sistema”. Os computadores têm servido como bode expiatório para muita incompetência por esse mundo fora.

  2. E pronto, agora este “aborto” de livro passa para o secundário. Admitam o erro e livrem-se deste livro de uma vez por todas, haja paciência…

  3. É preciso muita “lata” para vir agora justificar a asneira com o lapso informático. A “culpa é do computador” como se dizia dantes, quando as coisas não corriam como o pretendido. A quem está entregue o nosso ensino? onde estão os responsáveis? gostam muito de estar na montra, mas agora não aparecem a assumir as suas responsabilidades. Verdadeiramente lamentável ….

  4. Lapso informático ou incompetência de quem toma uma decisão desta natureza? É que assim duas incompetências ao mesmo tempo é demais para que alguém continue no cargo que lhe foi confiado e para mais temos ainda uma terceira asneira ao passarem o livro para o secundário, possivelmente já não haverão escritores em Portugal com dignidade e dignos desse nome, Ministro e Ministério da Educação também devem estar todos aleados das suas funções, libertinagem tem sido a dose de há 42 anos para cá aplicadas pelas esquerdas e é esse o pior mal de todos.

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